Logotipo MiudosSegurosNa.Net

Minimizar Riscos, 
Maximizar Benefícios. 

Bandeira de AngolaBandeira do BrasilBandeira de Cabo VerdeBandeira da Guiné-Bissau
Bandeira de MoçambiqueBandeira de PortugalBandeira de São Tomé e PrincípeBandeira de Timor Leste
Subscreva a Newsletter
[MiudosSegurosNa.Net]
> Definir Homepage
> Adicionar a Favoritos
> Imprimir Esta Página
> Recomendar Página
> Ligue-se a Nós!
> Artigos Para o Seu Site
> Donativos

ARTIGOS DE OPINIÃO - 2012 - Setembro
Bullying, Cyberbullying e Mobbing
Por Tito de Morais

Quando se fala na segurança de crianças e jovens, seja offline ou online, o bullying e o cyberbullying são temas cada vez mais recorrentes. Paulatinamente, o mesmo vai acontecendo com a investigação relacionada com o tema. O estudo mais recente foi publicado pela DECO/Proteste.

Na sua edição nº 338, de Setembro de 2012, a revista Proteste publica um artigo "Bullying - Tolerância Zero", relativo a um estudo que levado a efeito com o objetivo de "caraterizar o bullying na escola (através de adultos, sobre a experiência no passado) e nos contextos de trabalho (mobbing) e internet (cyberbullying)". O questionário foi enviado a Novembro de 2011 "a uma amostra representativa da população portuguesa, entre os 18 e os 64 anos" dos quais se obtiveram 1240 questionários válidos.

O Questionário
O questionário inquiria "sobre as formas de agressão e consequências e modos de lidar com a situação" e incluía "perguntas sobre a experiência dos inquiridos como vítimas, testemunhas ou agressores, desde a idade escolar" e aos inquiridos era também "pedida a opinião sobre as causas subjacentes ao comportamento que conduz ao bullying".

Conclusões Preocupantes
Sem querer reproduzir aqui a totalidade do artigo que se estende por 5 páginas de extrema utilidade, sublinho aqui algumas conclusões preocupantes resultantes da minha leitura do artigo que a DECO/Proteste teve a cortesia de me fazer chegar:

  • "Da nossa amostra, 12% das vítimas de bullying mantêm recordações que os perturbam mesmo em idade adulta." E o artigo acrescenta: "As memórias sobre o que aconteceu aparecem, por vezes, em pesadelos ou em confronto com situações que provocam a recordação."

  • "No global, há uma prevalência de 20% de bullying escolar retrospetivo, ou seja, recordado pelos nossos inquiridos." O artigo revela ainda que as vítimas "sofreram uma ou várias agressões continuadas: gozo, insulto, roubo ou ocultação de objetos, exclusão, mentiras para difamar, agressão sexual ou ameaças", referindo ainda que "em quase metade dos casos, o bullying manteve-se por mais de 6 meses", acrescentando que o "recreio, corredor da escola, sala de aula e o caminho entre escola e casa são os locais privilegiados para estas intimidações". Por fim, o artigo acrescenta ainda que "os inquiridos, já adultos, sonham com os eventos (14%) ou recordam com sofrimento a situação (36 por cento)."

  • Entre as consequências apontadas pelos inquiridos, estão: depressão (68%) e ansiedade (60%) por longos períodos de tempo, medo constante (56%), rendimento escolar prejudicado (42%), dificuldade em fazer amigos (40%), problemas familiares ou com namorada/o (22%), doença (18%), pesadelos a longo prazo (14%), ideação suicida (11%) ou mudança/abandono da escola/universidade em questão (11%).

  • "Muitos dos inquiridos acusaram ideias preconcebidas". O artigo detalha essas ideias pré-concebidas: "o bullying ser natural (8%), fortalecer as personalidades mais frágeis (cerca de 10%) e de as vítimas, muitas vezes, 'estarem a pedi-las' (7 por cento)." O artigo acrescenta ainda que "prevalece a opinião de que o certo é reagir ao agressor (mais de 30% da amostra)".

  • 40% dos rapazes lidou com o bullying lutando com os agressores, contra os 12% registados nas raparigas. Por oposição, 23% das raparigas pediu ajuda à família ou amigos, enquanto apenas 11% dos rapazes o fez.
Estas duas últimas conclusões sublinham a importância da formação da comunidade educativa relativamente a estratégias mais eficazes de fazer frente ao bullying, tais como a promoção de "um ambiente social de não aceitação de tais comportamentos", onde "quebrar a indiferença das testemunhas e a cumplicidade dos colegas que apoiam o agressor é o princípio do fim das situações de bullying". O artigo refere também que "a responsabilidade dos pais por estes comportamentos nos filhos é apontada por dois terços dos inquiridos."
  • À pergunta "porque foi vítima?", as respostas dão-nos informação relevante: "Timidez" (47%); "Não sei" (31%); "Consideravam-me fraco/a" (28%); "Por ser de família pobre/rica" (19%); "Achavam-me gordo/a" (19%); "Por ter boas notas" (12%); "Devido ao sítio/ambiente onde vivia" (9%); "Consideravam-me alto ou baixo" (8%); "Consideravam-me magro" (6%); "Na altura, tinha uma incapacidade" (4%); "Cor da pele" (2%).

  • "Só 21% dos professores ficaram a par da situação". dado que estranho já que Apenas 8% das raparigas e 7% dos rapazes pediu ajuda a professores. Por outro lado, apenas 14% das raparigas e 10% dos rapazes se queixaram à direção da escola. E por fim, o artigo acrescenta ainda que "à maioria das crianças e jovens, faltou instrumentos para resolver o problema, optando por ignorar ou evitar a situação que despoletava a intimidação ou agressão".
Este último parágrafo é particularmente preocupante. No entanto, é preciso ter em conta que, apesar de extremamente relevantes, os resultados deste estudo são retrospetivos, isto é, referem-se a atos que tiveram lugar no passado e não no presente. Assim, sendo, podem não refletir a realidade atual. Curiosamente, à data da publicação do estudo, estava a trabalhar num inquérito sobre "Como as Escolas Lidam Com o Bullying, Cyberbullying e Outros Comportamentos Anti-Sociais". Para ficarmos com uma noção da situação atual precisamos de respostas de estudantes (todos os níveis de ensino), pais e encarregados de educação, educadores, professores e restantes membros da comunidade educativa. Assim, agradeço-lhe desde já a sua colaboração, divulgando ou preenchendo este inquérito destinado a saber como as escolas obtêm, registam e gerem queixas de alunos, pais, professores e pessoal escolar, relativamente ao bullying, cyberbullying e outros comportamentos anti-sociais.



CORRECÇÃO (10 de Setembro de 2012):
À data da publicação deste artigo solicitei à DECO / PROTESTE o seguinte esclarecimento:
"Ao ler o artigo deparei-me com uma aparente contradição para a qual solicitava o V/esclarecimento. A certa altura do artigo refere que 'só 21% dos professores ficaram a par da situação'. No entanto, um dos gráficos refere que apenas 8% das raparigas e 7% dos rapazes pediu ajuda a professores, o que dá um total de 15% e não de 21%."

Da DECO / Proteste, recebi o seguinte esclarecimento que muito agradeço:
"Na verdade só 7,4% dos inquiridos (ambos os sexos incluídos) referiram ter pedido ajuda aos professores (8,1% entre raparigas, e 6,7% entre rapazes). Este aspeto é importante para esclarecer que não se pode somar os 8,1% com os 6,7%.
A diferença entre os 7,4% (de pedidos de ajuda) e os 21% de respostas a apontar o conhecimento da situação por parte dos professores tem a ver com o facto destes (os professores) terem sabido da situação por outras formas que não através de pedido de ajuda pelo aluno: 12,9% souberam-no através de colegas ou familiares do respondente (vítima) e o restante por se terem apercebido (por eles próprios) da situação.
Resumindo, são indicadores diferentes: o primeiro tem a ver com a forma de lidar (pelo próprio) com o problema; o segundo tem a ver com a perceção, pelo respondente, do professor estar (ou de se ter apercebido da situação)."




Artigos Anteriores:
> Controlo Parental no iPhone, iPad e iPod
> 10 Recomendações de Segurança na Internet
> Dê Início à Conversa
> 7 Redes Sociais Para Crianças
> Redes Sociais Para Famílias

Parceiros:
Logotipo do EasyBits Group
| Início | Recursos | Sobre | Mapa do Site |
                                                 © 2003-2012, Tito de Morais. Todos os Direitos Reservados.