Logotipo MiudosSegurosNa.Net

Minimizar Riscos, 
Maximizar Benefícios. 

Bandeira de AngolaBandeira do BrasilBandeira de Cabo VerdeBandeira da Guiné-Bissau
Bandeira de MoçambiqueBandeira de PortugalBandeira de São Tomé e PrincípeBandeira de Timor Leste
Subscreva a Newsletter
[MiudosSegurosNa.Net]

> Definir Homepage
> Adicionar a Favoritos
> Imprimir Esta Página
> Recomendar Página
> Ligue-se a Nós!
> Artigos Para o Seu Site
> Donativos

ARTIGOS DE OPINIÃO - 2010 - SETEMBRO
7 Aspectos a Considerar na Sua Vida Online
Por Tito de Morais

Os vídeos que publiquei no blogue do projecto MiudosSegurosNa.Net a propósito da campanha "Pensa Antes de Publicar" são, por si só, excelentes peças de sensibilização. No entanto, esse trabalho pode ser aprofundado. É o que procuro fazer neste artigo.

No seu trabalho, "Taken Out of Context: American Teen Sociality in Networked Publics" (PDF) - da investigadora norte-americana Danah Boyd identificou um conjunto de quatro propriedades técnicas - persistência, pesquisabilidade, replicabilidade e escalabilidade - que destabilizam as relações online e que se interligam, são co-dependentes e ajudam a produzir um conjunto de três dinâmicas - audiências invisíveis, contextos colapsados e a desfocagem entre o público e o privado - com que temos de nos confrontar quando utilizamos media sociais e que moldam a nossa experiência. Apesar destas propriedades e dinâmicas não determinarem a forma como usamos estes media, reformulam o ambiente onde actuamos e como tal jogam um papel decisivo na forma como os adolescentes negoceiam a sua identidade, socializam com os pares e interagem com os adultos. À luz desta ideia, e no sentido de promover a utilização da Internet em segurança, importa ter presentes estas propriedades e dinâmicas.

Quatro Propriedades Técnicas
Em resultado das quatro propriedades técnicas referidas, os conteúdos digitais (textos, imagens, sons e vídeos) são facilmente armazenados, distribuídos e de pesquisar. Vejamos então, cada um deles em pormenor:

  • Persistência - Uma vez na Internet, para sempre na net. Aquilo que publicamos online - conteúdos digitais, seja sobre a forma de texto, fotografias, ficheiros áudio ou vídeo - fica automaticamente gravado e arquivado. Assim, tudo o que publicamos online, tem tendência para ficar registado para a posteridade. Independentemente da nossa vontade.


  • Replicabilidade - os conteúdos digitais podem ser facilmente duplicados, sem perderem qualidade. Basta fazer copy/paste e já está. Assim, aquilo que dizemos aquilo que dizemos e que os outros dizem online, numa conversa entre amigos, os comentários que se fazem num blog ou as fotos que se colocam num site de uma rede social, a partir do momento que estão online, deixam de estar sobre o nosso controlo. Essa informação, uma vez encontrada, qualquer pessoa a pode usar e disseminar através da Internet. E em contextos que podem ser completamente diferentes daquele em que a informação foi originalmente colocada online. E pode fazê-lo de diversas formas. Seja em mensagens de correio electrónico, mensagens instantâneas, perfis diversos, páginas de blogs (áudio, foto e vídeo), redes sociais e de partilha de ficheiros, etc.


  • Escalabilidade - segundo Danah Boyd, o potencial de visibilidade dos conteúdos digitais nas redes públicas é enorme e poderá atingir proporções "desproporcionadas" como no caso de conteúdos que são distribuídos de forma viral. Mas como a investigadora americana alerta, a escalabilidade não depende do que os indivíduos pretendem ou pensam dever ser escalado, mas sim do que o colectivo escolhe amplificar.


  • Pesquisabilidade - A partir do momento em que um conteúdo digital é disponibilizado e fica registado online, qualquer pessoa - bem ou mal intencionada - poderá encontrar e aceder a ela. Seja amanhã ou daqui a uma ou mais décadas.

Três Dinâmicas
As quatro propriedades acima referidas interligam-se e são co-dependentes e tendem a produzir as três dinâmicas referidas por Danah Boyd. Vejamos então, cada um delas em pormenor:

  • Audiências Invisíveis - Na rua, num centro comercial, num jardim, num café, etc. - aquilo a que Danah Boyd chama ambientes não mediados - podemos sempre olhar à nossa volta para termos uma ideia sobre quem poderá ver ou ouvir o que vamos fazer ou dizer. Em função disso podemos sempre ajustar o que vamos dizer ou fazer. Por exemplo, falar com um volume de voz mais baixo para que outros não nos oiçam ou fazer algo mais discretamente para que outros não se apercebam do que vamos fazer. Resumindo, compreendendo o contexto do local em que nos encontramos e as reacções previsíveis das pessoas que aí se encontram, tomamos uma decisão sobre o que é ou não é apropriado dizer. Todavia, num site, num fórum, num blog, num photoblog ou num site de uma das muitas redes sociais existentes - ambientes mediados, na terminologia de Boyd - não temos forma de proceder da mesma forma. Apesar de recentemente já podermos publicar conteúdos de forma selectiva, na realidade não controlamos a sua disseminação. Não temos forma de saber quem nos poderá ver ou ouvir. Nunca sabemos com quem estamos a partilhar a informação. Mesmo que o façamos através de uma página privada, nunca sabemos de facto o que outros poderão fazer. Não apenas hoje, mas amanhã ou daqui a 10 anos. Não só porque não sabemos quem nos poderá estar a ver e ouvir no momento, mas também no futuro, o que está intimamente relacionado com os outros conceitos referidos pela investigadora.


  • Contextos Colapsados - Segundo Danah Boyd, a falta de limites espaciais, sociais e temporais dificulta a distinção dos contextos sociais. O conteúdo publicado é-o enquanto filho, aluno, colega ou amigo? E no caso dos adultos, é-o a título pessoal ou profissional, entre outros potenciais papéis. E o que é publicado num contexto pode ser republicado, por nós ou por outros, noutro contexto completamente diferente. Noutro espaço. Noutro tempo. Para outras audiências.


  • Desfocagem Público/Privado - Sem controlo sobre o contexto, aquilo que é público e o que é privado transforma-se num binário sem sentido, escalado de novas maneiras e difíceis de manter de forma distinta.

Para terminar, para além dos vídeos acima referidos servirem para ser analisados com os jovens à luz destas propriedades e dinâmicas, o mesmo pode acontecer com histórias que conheçam, seja em resultado da sua experiência pessoal, de terceiros ou da comunicação social. O caso da disputa do telemóvel na sala de aula na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, por exemplo, que adquiriu dimensão nacional há uns anos e cujo vídeo facilmente se encontra através de uma pesquisa no Google. Estou em crer que os resultados de tal discussão serão superiores a uma qualquer lista de "nãos". É que podemos dizer cumprir a lista de "nãos", mas os nossos comportamentos online facilmente nos desmentirão.



Artigos Anteriores:
> 7 Anos de Projecto MiudosSegurosNa.Net
> "Por Favor, Ensinem-me a Pensar"
> Devo Dar Um Magalhães ao Meu Filho?
> Vulnerabilidades: O Que São e Como as Reduzir
> Segurança da Informação: Imperativo Nacional

Rotulado com ICRA - Internet Content Rationg Association
| Início | Recursos | Sobre | Mapa do Site |
                                                 © 2003-2010, Tito de Morais. Todos os Direitos Reservados.