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Por Tito de Morais Não tinha intenção de escrever sobre o caso da professora, da aluna e do telemóvel que dominou as manchetes e os noticiários em Portugal durante a Páscoa. Consegui resistir, mas a coincidência no tempo de uma série de acontecimentos leva-me agora a escrever sobre o assunto. Eis então algumas reflexões. Na sequência deste caso, saturei de ver o vídeo da cena. Cansei-me de ver críticas à aluna e aos alunos em geral - não só aos da turma em questão, não só ao que gravou a cena e a publicou no YouTube, mas aos estudantes de hoje - aos pais da aluna e aos pais em geral, à professora e aos professores em geral, à escola e as escolas em geral. A preocupação geral era a de apontar o dedo a alguém. A culpa é sempre dos outros. Assim é tão fácil. Todos temos filhos lindos incapazes de cometer tais despautérios! Esquecemo-nos que, em grupo, os nossos filhos podem adoptar comportamentos que nunca lhes passaria pela cabeça adoptar. No entanto, como dizia, e com razão, um pai que me pediu ajuda pelo facto da sua esposa, uma professora, estar a ser difamada e injuriada por um aluno num fórum de cariz pornográfico, "esperamos que os nossos filhos não tenham comportamentos que nos envergonhem". Por outro lado, dizer "se fosse comigo, eu fazia assim ou fazia assado" é também tão fácil, esquecendo que, sem a formação adequada, só colocados perante situações idênticas é que ficamos de facto a saber como reagiríamos aquela cena. Enfim, para quem como eu há muito tempo ando a alertar para a necessidade de darmos atenção à forma como as tecnologias são usadas por alguns jovens, em meios escolar mas não só, fico desencantado e tenho dificuldade em perceber como as pessoas ficam espantadas. É que afinal, este foi o típico caso em que "o rei vai nu"! A única novidade deste caso foi o facto do vídeo ter sido detectado e explorado até mais não pelos órgãos de comunicação social. Essa foi a única novidade. Enfim, perdemo-nos a apontar o dedo e no fim, semanas depois, poucas ou nenhumas ilações dos factos tiramos. Apontando o dedo, limitamo-nos inconscientemente a espiar a nossa própria culpa colectiva. E infelizmente nada de novo sai deste caso. E eis que senão, leio uma crónica de Rodrigues Guedes de Carvalho na revista Única, distribuída com o Expresso do dia 25 de Abril.
"O Ovo e a Galinha"
"Olha Que Contado, Ninguém Acredita!"
As Crianças Vêm, as Crianças Fazem
Quadro de Honra
A iniciativa parece-me extremamente louvável, sendo ainda uma oportunidade de se demonstrar como os telemóveis podem ter uma utilização positiva. Por outro lado, é uma iniciativa que permite também aos pais incentivarem os filhos à sua participação. No entanto, a este nível, para evitar experiências desagradáveis e uma vez que há escolas que vedam a utilização do telemóvel no espaço escolar e não apenas na sala de aula, é importante que os pais incentivem os filhos a solicitar autorização aos professores para a captação de imagens, algo que não é referido no material que promove a iniciativa. A terminar, apenas a reflexão que para além das crianças, dos jovens, dos pais e dos professores, também os jornalistas e os publicitários precisam de formação no domínio da utilização ética, responsável e segura das tecnologias de informação e comunicação.
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