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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2008 - ABRIL
Segurança na Internet: Como Ensinar?
Por Tito de Morais

"Quando eles sabem muito mais disto do que nós, como ensinar as crianças e jovens a usar as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) de uma forma ética, responsável e segura?". Esta é uma das perguntas recorrentes que recebo de professores, pais e encarregados de educação, e à qual procuro dar resposta com este artigo.

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estão a ter um impacto profundo na generalidade das profissões. As TIC, em geral, e a Internet, em particular - entre outras coisas - são responsáveis pelo "EMPOWERMENT" (CAPACITAÇÂO) dos cidadãos em geral, dos professores e, como não podia deixar de ser, dos alunos. É a democratização do acesso à informação e, potencialmente, do conhecimento. Tal como noutras profissões, este facto coloca aos profissionais, novos, importantes e decisivos desafios. Um deles, por ventura o mais importante, é uma mudança de hábitos e mentalidades. E os professores não são excepção. Bem pelo contrário. A ideia de que os "os professores ensinam e os alunos aprendem" é desafiada nesta era da Internet onde imperam as ferramentas colaborativas onde todos podem aprender uns com os outros. Na era da Sociedade da Informação ou, se preferirem, da Sociedade do Conhecimento, o professor é também, cada vez mais, um facilitador.

"E Agora?! Que Eu Faço?!"
Exemplo disso é um email que recebi em Outubro de 2005 de um professor de Formação Cívica. Director de Turma de um 6º Ano. Os alunos tinham demonstrado grande interesse em abordar a questão dos perigos e da segurança na utilização do Messenger pelos jovens. À época o programa de Formação Cívica nada referia sobre TIC. No entanto, para este professor, "o facto dos alunos terem de adquirir qualidades e capacidades no final do 2º Ciclo que sejam aplicáveis na vida quotidiana" era "um pressuposto suficiente para abordar esta questão" ainda mais que se tratava de "uma situação levantada durante uma conversa informal dentro da sala de aula (Objectivos de Formação Cívica)." Este professor considerava ainda que "se eu preparar as aulas de Formação Cívica com base nos livros que os colegas têm, vou falar nos mesmo assuntos que todos falam, assuntos que alguns alunos já falaram, livros que fornecem a "papinha toda feita", e vou ter alunos entediados dentro da minha sala de aula." O problema deste professor é que não dominava a matéria sobre a qual os alunos estavam verdadeiramente interessados em aprender e que certamente os cativaria mais e que se enquadrava nos objectivos da disciplina. O caso típico de "E Agora?! Que é Que eu Faço?!"

Aprendizagem Passiva
Na maioria das salas de aula, os estudantes estão apenas envolvidos em actividades no domínio da aprendizagem passiva, isto é, são apenas receptores. Ouvem o professor, lêem um texto, vêem pontualmente uma transparência ou um slide e, se tiverem sorte, poderão ver um vídeo ou ver uma demonstração. Para a geração que já nasceu rodeada por vídeo-jogos, telemóveis, computadores e Internet, este tipo de abordagens é vista como "ineficaz, irrelevante e contraproducente". Resumidamente: "Uma seca!" Os educadores vêem-se assim hoje obrigados a repensar os métodos através dos quais transmitem o conhecimento a esta nova geração de estudantes. É aí que surgem as abordagens no domínio da aprendizagem activa.

Aprendizagem Activa
É assim que surgem as abordagens no domínio da aprendizagem activa, onde os alunos fazem mais do que ser meros receptores. Neste tipo de abordagens, os alunos são encorajados a falar, ler, escrever, debater, a envolverem-se e a participarem activamente em actividades de grupo, tarefas e na resolução de problemas. Num ambiente de aprendizagem activa, os estudantes são desafiados para um processo que constrói e testa os seus modelos mentais relativamente à informação que estão a adquirir, mediante a pesquisa, análise, síntese e avaliação de informação. Neste tipo de abordagens, os alunos relacionam o que estão a aprender com as suas experiências passadas e aplicam os conhecimentos adquiridos à sua vida quotidiana. O que aprendem, passa a fazer parte deles próprios. Acresce que este tipo de abordagens coloca a responsabilidade da organização do que se aprende nas mãos dos alunos. Neste ambiente centrado na aprendizagem, o estudante torna-se um participante activo e envolve-se no diálogo com os seus colegas e professores. E estes tornam-se facilitadores.

A terminar, voltemos ao professor que referi no início deste artigo. No email que referi no início deste artigo, o professor enviava-me a solução para o seu próprio problema: quot;Sugeri-lhes que fizessem um levantamento sobre os perigos da utilização do Messenger e que, se eles fossem pais de jovens da idade deles, o que fariam para evitar que os seus filhos corressem riscos." Este pode ser o princípio de uma abordagem activa ao tema que poderá prolongar-se com actividades tais como, por os alunos a organizar e participar num debate sobre o tema, a fazer uma palestra sobre este assunto para alunos de um ciclo de ensino inferior, criar e representar um sketch ou uma peça de teatro sobre o tema, etc. Este é o tipo de abordagem que recomendo para ensinar a segurança na Internet a crianças e jovens, mas sobretudo para adolescentes.



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