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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2008 - MARÇO
Segurança na Net 2.0
Por Tito de Morais

As campanhas de promoção da segurança online de crianças e jovens apelam no sentido destes evitarem divulgar de dados pessoais e falar com desconhecidos na Internet. Um estudo publicado há pouco mais de um ano, revela a necessidade de uma segunda geração de campanhas e mensagens de prevenção.

Investigadores do Crimes Against Children Research Center, da Universidade de New Hampshire e da Internet Solutions for Kids, Inc., nos Estados Unidos, publicaram em Fevereiro de 2007 o artigo "Internet Prevention Messages - Targeting the Right Online Behaviors" (PDF - 116KB) nos Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine. O estudo que está na base deste artigo visou examinar se partilhar dados pessoais e falar com estranhos na Internet, ou outros comportamentos, estavam associados com uma maior probabilidade de vitimização online de crianças e jovens. Partindo de um inquérito telefónico a 1500 jovens entre os 10 e os 17 anos de idade que usaram a Internet pelo menos uma vez por mês nos seis meses anteriores, o estudo analisou o comportamento online destes jovens, procurando medir a vitimização online, isto é, assédio ou solicitações sexuais não desejadas.

Comportamentos Analisados
Os jovens referiram a frequência com que se envolviam em nove tipos de comportamentos que se julgam aumentar a probabilidade de aumentar a victimização online de crianças e jovens:

  • Divulgação de dados pessoais
    • Publicação de dados pessoais
    • Envio de dados pessoais
  • Comportamentos agressivos
    • Fazer comentários rudes ou desagradáveis
    • Assediar ou embaraçar alguém
  • Conversar com alguém que se conheceu online
    • Conhecer alguém online (por diversas formas)
    • Pessoas na lista de contactos são conhecidas apenas online (número de pessoas)
  • Comportamento sexual
    • Visitar deliberadamente um site para adultos
    • Falar sobre sexo com alguém que apenas se conhece online

Resultados
Um dos resultados obtidos em função da investigação refere que comportamentos agressivos, sob a forma de comentários desagradáveis ou rudes, embaraçar terceiros com frequência, conhecer pessoas de múltiplas formas e falar sobre sexo com desconhecidos online, estão significativamente relacionados com a victimização online de crianças e jovens. Por outro lado, o envolvimento em quatro tipos de comportamentos online representa um ponto de viragem no aumento do risco de vitimização.

O Ponto de Viragem
À medida que o número dos diferentes tipos de comportamentos online de um jovem cresce, aumenta também a probabilidade de ser vítima. Segundo este estudo, o maior aumento desta probabilidade foi notada em jovens que se envolviam em 4 tipo de comportamentos. Estes jovens eram 11 vezes mais susceptíveis de serem vítimas online do que aqueles que não revelavam nenhum dos comportamentos online analisados. Comparados com jovens que se envolviam em 3 ou menos comportamentos, aqueles que se envolviam em 4 dos 9 tipos de comportamentos analisados revelam ser 7 vezes mais susceptíveis de reportarem terem sido vitimizadas online. De uma forma geral, os 2 tipos de comportamentos mais fortemente relacionados com a vitimização online são "embaraçar intencionalmente alguém online 3 ou mais vezes" e "encontrar-se com pessoas online".

Conclusões
Segundo este estudo, o conteúdo e a ênfase das mensagens de prevenção da maioria das campanhas sobre a segurança online de crianças e jovens foca-se, correctamente, nos riscos associados aos encontros online com desconhecidos. Mas a preocupação com a divulgação de dados pessoais, parece menos crítica do que a extinção de comportamentos no domínio do assédio. Daí que o estudo conclua que "falar com pessoas que se conhece apenas online ("estranhos"), em algumas condições, está relacionado com a vitimização online, mas partilhar informação pessoal não está. Envolver-se num padrão de diferentes formas de comportamentos de risco online é mais influente na explicação da vitimização do que muitos comportamentos específicos por si."

Tudo isto implica uma mudança estratégica nas mensagens de prevenção vinculadas pelas campanhas de promoção de uma utilização ética, responsável e segura das tecnologias de informação por crianças e jovens.



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