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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2008 - FEVEREIRO
Como Saber se Cumprem as Nossas Indicações?
Por Tito de Morais

"As minhas dúvidas são de mãe e de directora de turma/professora. Por mais que os esclareçamos, aos miúdos, como saber se estão mesmo a cumprir com as nossas indicações? É um mundo tão abstracto!!" Este artigo procura responder a esta pergunta.

Como sabemos que os nossos filhos cumprem as nossas indicações de segurança quando usam a Internet? E quando atravessam uma rua, quando andam de skate, motorizada ou automóvel? Quando ouço respostas a este tipo de pergunta relativamente à Internet, geralmente ouço respostas simplistas do tipo "da mesma maneira que o fazemos na vida real". É bem verdade, mas assim como a pergunta é demasiado genérica, o mesmo acontece com a resposta, acabando por não ser grande ajuda. No domínio da segurança online, como noutros, são inúmeros os esclarecimentos que podemos dar. Podem relacionar-se com qualquer um dos Cinco Cês (Conteúdos, Contactos, Comércio, Comportamentos, Copyright). E dentro de cada um destes, podem referir-se a outros tantos esclarecimentos. Mas vejamos se consigo, dar uma ajuda.

É Como Atravessar Uma Rua
Como dizia no início, uma das soluções é fazermos com a Internet, tal como fazemos quando, por exemplo, os ensinamos a atravessar uma rua. Explicamos como se deve atravessar. Explicamos quais os riscos. Quais são as regras que devemos seguir quando atravessamos uma rua, para minimizarmos os riscos. Fazemo-lo inicialmente de mão dada com eles. Depois, vamos experimentando deixá-los fazer sozinhos enquanto observamos. E quando finalmente estamos seguros que o fazem em condições, deixamo-los por conta deles. Ganharam a sua autonomia. No entanto, pontualmente podemos chamar a atenção que não o estão a fazer em condições, sobretudo se os acompanhamos e nos apercebemos das situações. Se nunca os acompanharmos, nunca nos aperceberemos de eventuais "facilitismos".

Aqui Está o Problema
Com a Internet, o problema é que os estudos indicam que não fazemos nada disto. Por exemplo:

  • 56% dos pais portugueses nunca se senta com os seus filhos quando estes usam a Internet e 11% fazem-no raramente. Uma das dicas é, portanto, a de usarem a Internet com os filhos e sobre isso aconselho a leitura do artigo "7 Coisas Para Fazer Com os Seus Filhos Na Net"
  • Apesar de 38% estabelecerem regras quanto à utilização da televisão, apenas 9% o fazem quanto à Internet e, destes, apenas 14% o fazem quanto à divulgação de dados pessoais, apenas 18% sobre as conversas com estranhos e apenas 28% quanto a encontros com quem só conhecem da Internet. Quanto a isto aconselho a leitura do artigo "7 Regras Para a Segurança Online de Crianças e Jovens" (Parte I e Parte II).

Resultados Deste "Divórcio"
Com este divórcio aparente dos pais relativamente à utilização que os seus filhos fazem da Internet, não é de admirar que:

  • 1 em cada 4 pais portugueses não saiba se os seus filhos já se confrontaram com conteúdos nocivos ou ilegais na Internet
  • 3 em cada 10 afirma que os seus filhos não sabem o que fazer se algo na Internet lhes causar desconforto e 2 em cada 10 não sabe responder. Para ajudar neste tipo de situações, sugiro a leitura do artigo "Golfinho Protege Crianças na Internet".

"E Não Existem Programas?"
No meu ponto de vista, a palavra-chave aqui é acompanhamento e supervisão e não tanto controlo, policiamento, intrusão na privacidade, etc. No entanto, existem ferramentas tecnológicas que possibilitam este tipo de abordagem, potencialmente intrusiva. São os programas de monitorização da utilização, mas não só. E sobre eles já falei no artigo "E Quando Não Estou em Casa?!" (Parte I e Parte II).

Resumindo, existem várias opções possíveis. A escolha da opção a adoptar depende dos valores de cada família, da personalidade de cada criança/jovem e também da forma como queremos educar os nossos filhos e alunos.

A terminar, um alerta. Podemos dar-lhes todas as indicações e mais algumas, mas tenho sérias dúvidas que as seguirão sempre. Que nunca pisarão o risco. Que adulto pode garantir que também nunca pisou o risco em jovem?! Uma vez que considero quase impossível garantir que um jovem nunca pisará o risco, o importante é que tenham consciência das potenciais consequências que daí podem resultar. Para eles e até para terceiros. E aí surge uma outra palavra-chave importante: confiança. Como pais, temos de nos esforçar para criarmos um clima de confiança com os nossos filhos. A confiança que lhes damos e que os deve levar a não pisarem o risco, mas também para que saibam que se algo correr mal, nós somos os primeiros interessados em ajudá-los a sair dos sarilhos e não em censurá-los ou retaliar por se terem metido em sarilhos.



Artigos Anteriores:
> Cinco Critérios Para Avaliar Websites - Parte II
> Cinco Critérios Para Avaliar Websites - Parte I
> Conteúdos Enganadores ou Falsos na Internet
> 7 Coisas Para Fazer Com os Seus Filhos Na Net
> Mundos Virtuais: Os Novos Recreios Infantis

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