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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2007 - DEZEMBRO
Crianças & Jovens: Os Novos Professores
Por Tito de Morais

"Se eles percebem muito mais disto do que nós, como os podemos proteger?". Esta é uma pergunta que pais e professores me fazem amiúde, pessoalmente nas acções de sensibilização e formação em que participo, ou através de mensagens de correio electrónico. Este artigo procura responder a esta pergunta.

No que toca à Internet, aos telemóveis, aos computadores e as tecnologias de informação e comunicação em geral, os adultos de hoje vêem-se confrontados com uma realidade -quiçá única na História de Humanidade - para a qual não se encontram preparados. Hoje, os nossos filhos e os nossos alunos, percebem muito mais do assunto que a generalidade dos seus pais e professores. Tal deixa-nos um pouco perdidos e desorientados, sobretudo no que toca à segurança online de crianças e jovens. Se eles sabem muito mais do que nós, como os podemos ajudar? A este propósito deixo-vos algumas reflexões e algumas histórias pessoais que constituíram momentos importantes que contribuíram decisivamente para me abrir os olhos para esta nova realidade.

Como Descobri a Internet
Em 1995, eu desenvolvia a minha actividade profissional no domínio do design gráfico, trabalhando tal como agora a partir de casa, concebendo catálogos de produtos para empresas industriais portuguesas que pretendiam internacionalizar-se. Funcionado como interlocutor entre as empresas e as gráficas que produziam esses catálogos, via-me inundado de papel em resultado dos faxes que circulavam por mim. Decidi então adquirir um modem fax para eliminar o papel. Desta forma, os faxes passariam a ser enviados e recebidos no meu computador. Ao aperceber-se que tínhamos um modem em casa, o meu enteado, então com 15 anos, teve a leviandade de sugerir que já que tínhamos comprado um modem, podíamos ligarmo-nos à Internet, Sobranceiramente e do alto da "sabedoria" de quem não fazia ideia do que era a Internet - em 1995, para mim Internet era um anúncio que passava na televisão e onde se dizia "Ninguém te liga?! Liga-te à Internet!" - respondi-lhe que o modem era para trabalhar, não era para brincar. Mas acabei por ser indulgente para o rapaz e como até não era caro, lá aderi a um fornecedor de serviços de acesso à Internet. E contente da vida eu lá ia usando o fax e o rapaz se entretinha na tal Internet. Até o dia em que o que via no écran "dele" me despertou a atenção e resolvi perguntar "o que é isso?!". "Isto é a Internet", respondeu-me. Diálogo estabelecido lá fui perguntando e ele lá me foi satisfazendo a curiosidade, clicando aqui e clicando ali, explicando-me pacientemente como funcionava a Internet. Os meses seguintes passei-os a aprender a fazer páginas para a Internet, usando a própria Internet como fonte de informação.

Descobrir o IRC na Feira do Livro
Uns meses depois, ao visitar a Feira do Livro no Porto, entrei num stand da Telepac. Aí apercebi-me que inúmeros jovens "falavam" uns com os outros através da Internet. Escreviam numas janelinhas no écran e logo de seguida aí vinham as respostas de quem "teclava do lado de lá". Fiquei cilindrado com o que via. Ao contrário do email, aquilo era imediato! Hoje, quando quase toda a gente sabe o que é o Messenger, isto pode parecer caricato, mas em 1995/1996 ainda não existia Messenger ou se existia era muito pouco conhecido. O que eu estava a ver era o IRC, abreviatura de Internet Relay Chat, um "antepassado" do Messenger. Lá fiz umas perguntas aos jovens que estavam a usar aquilo e mal cheguei a casa comecei a usar também. Curiosamente através do IRC vim a conhecer outros jovens que também se estavam a iniciar na criação de websites e com quem aprendi imenso, alguns dos quais com quem vim a lançar as sementes de duas empresas e de quem ainda hoje me mantenho amigo.

Aprender Com Um "Pirralho" de 5 Anos
O "pirralho" tem hoje 17 anos, mas na altura tinha 5. Ainda não tinha aprendido a ler, nem a escrever. Estava eu frente ao computador, já a desesperar por não conseguir fazer um efeito num programa de edição gráfica que o irmão mais velho do pirralho geralmente fazia. Perante o meu aparente desespero, o pequeno pergunta-me qual era a causa de tamanha exaltação. Quando o pus a par, respondeu-me que era fácil e apontando o dedito indicador lá me ia dizendo "clica ali", "agora, no segundo, esse", etc. e tal e num instante lá estava o efeito gráfico que eu procurava. Fiquei cilindrado. O programa de edição de imagem era em inglês, idioma que eu dominava. O pequeno não sabia ler, nem escrever. Nem em português, quanto mais em inglês! Mas aos 5 anos, acabava de explicar ao pai, como fazer um determinado efeito gráfico num programa de edição de imagem com interface em inglês! Percebi na altura que de observar o irmão mais velho, havia absorvido tal como uma esponja, as acções por este empreendidas que produziam um determinado resultado. Ou seja, para ele, a interface do programa tanto podia ser em grego, como em chinês! Hoje, aos 17 anos, lá vai tendo paciência para ensinar ao "cota" como se faz isto ou aquilo no telemóvel ou noutros "gadget's" tecnológicos, mas tenho que lhe suplicar que me mostre e explique tudo passo-a-passo, "como se eu fosse muito burro!".

O Professor Mais Novo
Estes casos, passados em 1995/1996 abriram-me de facto os olhos. Hoje, procuro proceder da mesma forma com o meu filho mais novo - actualmente com 11 anos - e a quem vou colocando as minhas perguntas sobre os serviços que usa na Internet e de quem vou ouvindo as explicações. E com quem vou aprendendo.

Há dias, partilhava esta e outras histórias com um casal amigo a propósito do facto dos pais e professores de hoje terem muito a aprender com os miúdos, mas para que tal aconteça é necessário que os adultos percebam e aceitem essa mudança de realidade, o que para muitos não é fácil pois implica uma mudança radical do modelo a que estavam habituados. Tal implica que os pais aprendam com os filhos, os professores com os alunos e vice-versa e não apenas o vice-versa. Na realidade, se os miúdos percebem muito mais de tecnologia que os pais e os seus professores, estes percebem muito mais da vida do que os miúdos. E é do assumir desta interdependência colaborativa que nasce a segurança online de crianças e jovens. Assim e porque estamos a terminar um ano e no início de um outro, deixo-lhe a sugestão de que assuma essa interdependência colaborativa e que faça dela uma resolução de Ano Novo. Será um passo decisivo para a segurança online dos seus filhos ou dos seus alunos.



Artigos Anteriores:
> Crianças Europeias Em Linha
> Dia Por Uma Internet Mais Segura 2008
> Fotos e Trabalhos de Alunos na Internet - Parte II
> Fotos e Trabalhos de Alunos na Internet - Parte I
> Falar "Com" e Não "Para" Crianças e Jovens

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