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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2007 - JULHO
Os Média e a Segurança de Crianças e Jovens na Internet
Por Tito de Morais

O DN do passado fim de semana noticiou que "menores têm sexo virtual a troco de carregamentos de telemóvel". A notícia refere-se a um livro a editar brevemente pela Gradiva, "O Abominável Mundo dos Jovens Cibernautas", da autoria de Renato Montalvo e Conceição Monteiro, um ex-jornalista e uma professora de Filosofia do ensino secundário.

Em Portugal, com alguma surpresa minha (mas posso andar distraído!), a notícia não teve muita repercurssão nos restantes meios de comunicação social. Apenas consegui encontrar referências ao assunto na SIC, no Portugal Diário e no Correio da Manhã. O primeiro resume a notícia do DN (quer online, quer na peça que tive oportunidade de ver num dos noticiários de domingo). O segundo quase que a transcreve, valendo neste último a leitura dos comentários dos leitores. O Correio da Manhã, por seu lado, faz referência ao livro, mas não faz deste o tema principal. A este nível, o jornal que geralmente é acusado de ser um dos mais "tablóides", é de facto o único meio de comunicação social que tenta abordar o tema numa perspectiva educativa.

Cobertura Internacional
Surpreendentemente, a notícia acabou por ter mais relevo no estrangeiro que em Portugal. De facto, aparentemente foi "apanhada" pelos escritórios da agência EFE, em Lisboa. Vai daí, em língua espanhola são inúmeras as referências, começando pelo El Pais e acabando no ABC. Mas a notícia teve ainda cobertura em países tão diversos quanto o Brasil, Rússia, México, República Dominicana, Itália, etc. Isto para não falar na blogosfera. No entanto, na generalidade dos órgãos de comunicação social, a cobertura quase que se limita a reproduzir a notícia original, de forma mais ou menos resumida.

O Abominável Mundo dos Cibernautas
Segundo os autores revelaram ao DN, o livro é uma compilação de centenas de diálogos e alguns monólogos sobre histórias de encontros virtuais perigosos de menores e a que os autores tiveram acesso ao longo de mais de 70 dias de olhos postos em chat rooms, numa média de quatro horas por dia. Segundo notícia o DN, os autores consideram que "há que alertar as pessoas para esta realidade" e que "qualquer jovem tem acesso livre a páginas de conteúdo pornográfico", acrescentando que durante os dias 9 e 14 de Março deste ano, 78 por cento dos visitantes de chats que se identificaram ao longo das conversas eram estudantes. Ainda segundo o DN, os autores ponderaram editar ou não os diálogos, "sobretudo depois de receberem uma carta de um psicólogo a recomendar-lhes contenção", interrogando-se: "Qual era a alternativa? Não falar? Não dizer nada era uma opção. Pensámos escolher os textos menos agressivos, mas ser mais brando é como os caldos de galinha. Decidimos mostrar a realidade sem cortes nem censuras. A nossa participação foi coligir textos e somos responsabilizados pela escolha". O DN adianta ainda que "foram publicados cerca de dois por cento dos diálogos que poderiam aparecer no livro" e que segundo os autores, "não foram os mais hard."

Algumas Reflexões
A primeira observação que me ocorre é, a julgar apenas pelo conteúdo da notícia do DN, dar os parabéns aos autores do livro. De facto, acho que como sociedade, temos tidos preocupações excessivas em "por as coisas em lume brando com uns caldos de galinha" e nesse sentido o livro - que só será publicado dentro de 15 dias - parece-me uma tentativa de quebrar esse marasmo e suscitar um debate esclarecido do problema. O livro pode assim ajudar aquilo que tenho vindo a fazer desde 2003, ou seja, suscitar um debate real da questão. No entanto, aparentemente limita-se a uma pequena parte da realidade que exige uma discussão mais alargada. Não só porque o tipo de riscos referidos na notícia são apenas uma pequena parte daqueles resultantes da utilização das tecnologias de informação e comunicação (TIC) por crianças e jovens, mas também por não apresentar soluções. Isto a julgar pelas declarações dos autores ao DN, onde afirmam pretender que o livro seja uma alerta, mas remetem para "os especialistas em educação, sociologia, psicologia" a análise do conteúdo. "Mais do que respostas, a intenção foi levantar questões", algo que no site da editora a descrição do livro deixa antever, referindo-se-lhe como um livro sobre "o mundo virtual dos chats em que crianças e jovens são protagonistas de diálogos e cenas de horror. Uma realidade a que a grande maioria dos pais e educadores é, ou parece ser, alheio. Que fazer?"

Uma Falsa Ideia
Outro aspecto da notícia do DN que me chamou a atenção foi a referência a uma "outra diferença entre virtual e real é a ilusão, a falsa ideia de que, por ser virtual, o sexo na Internet não traz riscos, é asséptico porque os corpos estão ausentes. A advertência, sarcástica, vem curiosamente de alguém com o nick Pirilau". Esta referência chamou-me particularmente à atenção por duas razões:

  • porque ouvi recententemente algo semelhante de alguém que teve responsabilidades em Portugal no âmbito de um projecto financiado pela União Europeia no domínio da segurança online
  • porque há dias no programa televisivo "Falar Global" também ouvi dizer algo semelhante
Preocupante...

As Preocupações Educacionais dos Média
Por fim, saltou-me à vista a pouca preocupação educacional da generalidade das notícias que deram cobertura ao assunto. Isto é, seguem a proposta do livro. Apontam o problema, mas não apontam soluções, locais onde os leitores possam obter informação adicional para mitigar os riscos abordados na notícia, etc.. Este tipo de abordagem pelos média é algo com que pontualmente também me confronto quando escrevo. A este propósito, questiono-me sobre se não seria útil a produção de um guia que ajude os profissionais de comunicação social a tratar este tipo de matérias.

Algumas Recomendações
Por tudo isto, na noite de 2ª para 3ª feira, decidi distribuir um comunicado de imprensa sobre o assunto. Poderá consultá-lo juntamente com o anexo de que o fiz acompanhar, ou alternativamente, consultar os seguintes artigos relevantes para o caso:

Escrevo estas linhas e não posso deixar de me recordar de duas trocas de emails recentes. Numa, com o proprietário de um site de redes sociais, este achava que se sentia capaz de manter afastados os predadores do site, mas que o problema principal para o qual não via solução, eram as jovens adolescentes que procuravam deliberadamente contactos com homens adultos. E na outra, com um leitor, em que a propósito do artigo Grooming: Aliciamento e Sedução de Menores me perguntava e dava a resposta:"Será que os pais e familiares dos jovens e adolescentes se esquecem de elogiar a beleza, interior e exterior, destes e por isso eles têm tanta necessidade de se expor, verbal e por imagens, na Internet? A mim parece-me que, por mais que os pais tentem vigiar/proteger os filhos, se neles não há segurança afectiva e racional, acabam sempre por procurar mimos na Internet e submeter-se a perigos".

Este é o meu contributo para a perspectiva educativa que considero essencial quando se levanta este tipo de questões. Num artigo, dificilmente se cobre o assunto exaustivamente. Daí estar a terminar o meu livro sobre o assunto que será publicado em Setembro e que será um excelente complemento para os conteúdos aqui disponibilizados, para outros em que estou a trabalhar e que verão também em breve a luz do dia e para acções de sensibilização e formação em que participo como orador ou formador.

A terminar, leitor poderá questionar-se: "Ok, ponho o computador na sala e estabeleço regras para a utilização. Mas e agora que os miúdos estão de férias e eu não estou em casa, de que me adianta?!". A pergunta tem toda a razão de ser e por isso mesmo abordarei o assunto no próximo artigo.



Artigos Anteriores:
> Imagens do Abuso Sexual de Crianças e Jovens
> Bombas & Explosivos na Internet
> A Pornografia Infantil e a Legislação Portuguesa
> Telemóveis, Escolas & Cyberbullying
> Cyberbullying em Crescendo

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