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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2007 - MAIO
Bombas & Explosivos na Internet
Por Tito de Morais

Em Agosto e Setembro de 2005 escrevi dois artigos procurando alertar para os riscos que conteúdos nocivos, prejudiciais e potencialmente lesivos, representam para crianças e jovens. A semana passada, tomando por base um alerta da Polícia Judiciária, a comunicação social deu relevo ao tema.

Recordo-me de um episódio da minha infância em que, juntamente com um amigo, quase pegámos fogo ao atelier de costura da mãe dele. Na altura, deveríamos ter 10 ou 11 anos, no máximo. Brincávamos num anexo ao atelier de costura da mãe dele. A dada altura, descobrimos uma garrafa com benzina (éter de petróleo). Vai daí, entornamos um pouco no chão de cimento do anexo, chegámos-lhe um fósforo e observámos fascinados a benzina a arder até se extinguir. A brincadeira continuou. Ora um entornava mais um pouco de benzina, ora outro lhe chegava um fósforo. A dada altura do processo, não sincronizámos devidamente as acções de ambos e a chama pegou-se à garrafa cheia de benzina. Assustados, soprámos, agitámos freneticamente a garrafa e nada. Esta continuava a arder nas mãos do meu amigo até que, já em pânico este a deixou cair. Aquilo que era uma pequena chama, rapidamente assumiu proporções assustadoras, cobrindo por completo a porta do anexo. A coisa estava não estava a correr bem. Nós dentro do anexo. A única saída deste, coberta por chamas maiores do que nós. No interior, malas e sacos com restos de tecido, não eram a melhor das companhias. Felizmente, nesta altura, tivemos a presença de espírito que antes no faltara (para já não falar no bom senso), de arrastar uma das malas e, tomando balanço em cima desta, conseguimos ambos saltar por cima das chamas cá para fora, sem contudo escaparmos a chamuscar os pêlos das pernas dado ambos usarmos calções. Entretanto, já o pai do meu amigo acorrera ao quintal, espavorido com a cena, e com auxílio de um balde que ia enchendo de água, lá conseguiu extinguir o incêndio. O Jorginho, assim se chamava o meu amigo, não escapou de uma surra de que ainda o tentei livrar argumentando que a culpa não era só dele. Eu, mais sortudo, ainda hoje recordo o olhar fulminante do Sr. Barros, como que a dizer-me, "o melhor é ficares calado, para não levares do mesmo!".

Conteúdos Nocivos Na Internet
Relato o episódio acima, como estou certo que quase todos nós nos recordaremos de episódios semelhantes ocorridos na infância. Uns mais ou menos inocentes que outros e com resultados ou consequências mais ou menos graves. Ou seja, crianças e jovens, por não medirem as consequências resultantes dos seus actos, tendem a colocar-se a si e a terceiros em risco, com consequências que por vezes podem ser dramáticas. Isto muitas vezes, sem que esses actos não se traduzam em actos de maldade. Por vezes, acabam por ser vistos como tal, sobretudo quando as consequências ultrapassam largamente os resultados esperados pelos jovens. Hoje, mais do que ontem, dado que conteúdos com instruções sobre como fazer isto ou aquilo estão facilmente acessíveis através da Internet. Foi isso que procurei chamar à atenção em 2005, através dos artigos "Conteúdos Nocivos Na Internet" e "Violência, Crimes e Ilegalidades".

Os Casos Recentes
No sábado, 30 de Abril, a Polícia Judiciária divulgou um alerta relativo ao caso de jovens adolescentes identificados pela presumível autoria de explosões com bombas caseiras construídas com base em conhecimentos adquiridos através da Internet. A notícia foi rapidamente divulgada por diversos meios de comunicação social, tais como, Portugal Diário (também aqui e aqui), Correio da Manhã, Jornal de Notícias, O Figueirense, TSF (incluindo áudio), Público, Primeiro de Janeiro e Diário de Coimbra, entre outros. No dia seguinte, 1 de Maio, outros meios aprofundavam o assunto, como foi o caso do Correio da Manhã (também aqui), Jornal de Notícias (também aqui e aqui), Diário de Notícias e Primeiro de Janeiro, entre outros.

Recomendações Vagas
Nas notícias acima e nos artigos que escrevi anteriormente também, as indicações sobre soluções para este potencial problema não abundam. Daí que me pareça útil relembrar algo que não me canso de referir: uma estratégia para a segurança de crianças e jovens na Internet é como uma cadeira. Deve ter quatro pernas. Se tiver três é um banco. Dá para nos sentarmos, mas quanto mais jovem for a criança, menos segura se torna. Com menos de três pernas, dificilmente se aguenta de pé. Na segurança online de crianças e jovens esses quatro pilares equivalem à adopção de quatro tipos de abordagens: tecnológica, parental, educacional e legal. E os controlos parentais são apenas uma parte das ferramentas tecnológicas ao dispor de famílias, escolas e comunidades.

Soluções
Assim, ao nível tecnológico, podemos optar pela adopção de software de filtragem de conteúdos que bloqueiam o acesso a conteúdos nocivos ou danosos, como os referidos. O software de monitorização, não prevenindo o acesso a este tipo de conteúdos por parte dos jovens, permite ter conhecimento sobre o acesso aos mesmos à posteriori. Por este facto, e porque geralmente são os adolescentes os mais curiosos com este tipo de conteúdos e porque podem já ter conhecimentos sobre como tornear este tipo de software, convém também pensa na adopção de outro tipo de soluções. Daí que seja importante os pais falarem com os filhos sobre os riscos potenciais deste tipo de conteúdos. Aí os artigos e notícias acima referidos podem revelar-se importantes auxiliares. É importante que os jovens tenham a noção, por exemplo, de que as "receitas" podem estar deliberada ou inadvertidamente erradas, e aquilo que se pensava ser apenas um BUM, pode tornar-se um KABUM que manda a parede do prédio abaixo e que provoca mortos ou outras consequências trágicas ou nefastas, para eles próprios ou para terceiros. Mas esta não é apenas uma obrigação dos pais. A escola e os professores têm também um papel importante a desempenhar na prevenção deste tipo de casos. Tal como em casa, os artigos acima também podem servir para serem discutidos nas aulas. Pelo professor de formação cívica, pelo professor de ciências, de física, de química, de TIC ou de educação visual e tecnológica, caso se encoraje os alunos a desenvolverem cartazes, folhetos, desdobráveis ou outras peças destinadas a serem distribuídas aos seus colegas, alertando e procurando prevenir este tipo de situações. A nível legal, já em 2003, no artigo "Kids, Don't Try This at Home!", escrevi sobre a importância de se dificultar o acesso de crianças e jovens a determinado tipo de materiais. Isso deve ser feito em casa, deve ser feito pelos comerciantes, mas também a nível legislativo. Por fim, a criação de uma hotline para a denúncia deste tipo de conteúdos - mesmo que não sejam ilegais - também pode ajudar a limitar a quantidade de conteúdos nocivos que estão disponíveis na Internet. Mas para tal é necessário que as pessoas denunciem efectivamente esse tipo de conteúdos e que as empresas de alojamento também prestem a sua colaboração. Proibindo o alojamento dos mesmos e agindo rapidamente perante as denúncias.



Artigos Anteriores:
> A Pornografia Infantil e a Legislação Portuguesa
> Telemóveis, Escolas & Cyberbullying
> Cyberbullying em Crescendo
> Grooming: Aliciamento e Sedução de Menores
> Telemóveis, Segurança & Responsabilidade Social

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