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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2007 - ABRIL
Telemóveis, Escolas & Cyberbullying
Por Tito de Morais

Uma medida anunciada esta semana pelo Ministro da Educação britânico, na sequência de medidas semelhantes tomadas recentemente pelos seus homólogos grego e italiano, levam-me a retomar o tema do cyberbullying e da utilização indevida de telemóveis por parte de estudantes em ambiente escolar.

Há semanas atrás, no artigo "Telemóveis, Segurança & Responsabilidade Social", insurgi-me contra um anúncio televisivo da Vodafone Portugal. Dei conhecimento da publicação do artigo à empresa que teve a cortesia de me responder, considerando que o "carácter artificial e inverosímil" da situação ilustrada pelo anúncio "cria distâncias suficientes para evitar quaisquer impactos negativos junto dos diversos públicos". Discordo, mas curiosamente, na semana seguinte fui confrontado com uma situação que confirma os meus receios que os operadores de redes móveis parecem não perceber ou não querer perceber.

A Confidência de Uma Pré-Adolescente
Como muitas vezes acontece no final dos eventos em participo como orador sobre a segurança online de crianças e jovens, recentemente, após um evento, um grupo mais restrito de pessoas ficou à porta da escola a trocar impressões comigo. A dada altura, uma miúda dos seus 10/12 anos, que tinha participado na companhia da sua mãe, confidenciou-nos: "Quando as meninas estão a mudar de roupa nos balneários, há rapazes que lhes tiram fotografias com as câmaras dos telemóveis e agora andam a dizer que vão colocar as fotos no hi5". Este é o tipo de situação que receio poder ser incentivada pelo anúncio acima referido cujo período de vinculação chegou entretanto ao fim, mas que faço votos não venha a ser repescado no futuro. A falta de respostas da sociedade em geral e a falta de envolvimento dos operadores ao nível da educação dos consumidores, tem levado a situações extremas a que os governos depois acabam por responder com medidas igualmente extremas, como atestam os casos que relato a seguir.

Grécia Baniu Telemóveis Nas Escolas
De acordo com uma notícia do correspondente da BBC em Atenas, em finais de 2006 o Ministro da Educação Grego baniu a utilização de telemóveis por estudantes nas escolas. Segundo a decisão, os estudantes deixarão de poder levar os seus telemóveis para a escola, mesmo desligados e aqueles que ignorarem repetidamente as regras poderão mesmo ter de enfrentar a expulsão. Por outro lado, espera-se que os professores liderem com o seu exemplo, tendo por isso sido obrigados a desligarem os seus telemóveis durante o horário escolar ou, também eles poderão enfrentar consequências disciplinares. A decisão seguiu-se a notícias da violação de uma jovem estudante búlgara de 16 anos durante uma actividade escolar, acto que alegadamente foi gravado pelas suas colegas nos telemóveis. Este pormenor, que revela um desrespeito total pelo sofrimento da vítima, escandalizou a Grécia. Recentemente verificava-se um aumento de casos de "happy-slapping" (ver "Happy Slapping", Mais Que Uma Nova Forma de "Cyberbullying") a que algumas estações de televisão gregas deram cobertura o que, segundo alguns psicólogos e professores, encorajou casos adicionais e criou como que uma competição entre estudantes para a criação de imagens cada vez mais chocantes.

Itália: Telemóveis Proibidos Nas Escolas
Segundo noticiou a Reuters com base numa notícia do Corriere della Sera, Itália foi o primeiro país europeu a impor a proibição da utilização de telemóveis por estudantes nas salas de aula. A medida visa tentar acabar com as perturbações causadas por toques ou pela utilização indevida das câmaras fotográficas e de vídeo incorporadas em telemóveis utilizadas por muitos estudantes. Ainda segundo a Reuters, As regras forçam as escolas a disciplinar os alunos que persistem em usar os seus telemóveis, incluindo castigos que vão da confiscação dos aparelhos à expulsão de exames finais. A proibição segue-se a uma série de incidentes que chocaram os italianos. Em Novembro do ano passado, um vídeo captado por um telemóvel e mostrando uma criança deficiente a ser agredida por colegas de escola provocou indignação após ter sido colocado na Internet. Num outro incidente, os alunos filmaram-se a assediarem sexualmente uma professora. Segundo o Ministro da Educação italiano, sanções severas devem ser aplicadas "em casos particular e extremamente graves" onde a violação das regras tem repercussões legais ou coloque em causa a segurança.

Reino Unido Segue Pisadas
Se bem que não de uma forma tão radical quanto os casos da Grécia e de Itália acima referidos, esta semana o Ministro da Educação britânico anunciou algumas medidas que visam combater os comportamentos disruptivos, ofensivos e no domínio do bullying. Para isso, o Ministro da Educação britânico anunciou medidas que dão aos professores um direito legal claro e estatutário para, entre outras medidas, confiscar aos estudantes itens tais como telemóveis ou leitores de música que estão a ser usados de forma malévola ou disruptiva e que não podem ser usados para distrair os alunos das tarefas de aprendizagem.

Não tenho grandes dúvidas que a manter-se a indiferença dos operadores de redes e de serviços móveis nos levará mais tarde ou mais cedo a este tipo de medidas. Basta falar com professores para ficarmos com uma ideia da dimensão do fenómeno. Felizmente, em Portugal a situação parece ainda não ter contornos tão graves quanto alguns dos casos aqui referidos. A minha perplexidade resulta ainda da minha dificuldade em perceber como os operadores não realizam esse risco e não tomam medidas proactivas no sentido de prevenir uma situação, optando por agir reactivamente. Pena que não tomem a iniciativa ou apoiem iniciativas que visem apoiar famílias, escolas e comunidades a lidar com este tipo de problemas antes que eles assumam uma dimensão tal que obriguem à tomada de soluções drásticas.



Artigos Anteriores:
> Cyberbullying em Crescendo
> Grooming: Aliciamento e Sedução de Menores
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