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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2007 - MARÇO
Redes Sociais: Diferenças Entre o Real e Virtual
Por Tito de Morais

Esta semana, conforme prometido no final do artigo da semana passada, volto a abordar estratégias para minimizar os riscos associados a contactos com desconhecidos através da Internet.

Os contactos - de crianças e jovens com desconhecidos - através da Internet é provavelmente uma inevitabilidade maior do que acontece no mundo real. A este propósito, a semana passada questionava-me sobre como deixar os nossos filhos, educandos - ou jovens utentes de um espaço público de acesso à Internet - desfrutar desta sem se exporem ao riscos de contactos de desconhecidos, por ventura mal intencionados. Para além de procurar contextualizar o problema, adiantei algumas sugestões já referidas no artigo "7 Regras Para a Segurança Online de Crianças e Jovens" - Parte I e Parte II - e apresentei-vos um conceito que desenvolvi recentemente: as pirâmides de confiança. Neste artigo aprofundo o tema, avançando outras soluções que complementam as anteriormente fornecidas.

Dados Pessoais Online
Um estudo, que já aqui referi no artigo "Exposição Involuntária de Menores à Pornografia na Internet", aponta para a aparente inevitabilidade de hoje em dia os jovens fornecerem dados pessoais online. Segundo o estudo, 34 por cento dos jovens utilizadores da Internet inquiridos, colocou online, visível por qualquer pessoa, o seu nome verdadeiro, número de telefone, morada ou nome da escola que frequentam. 45 por cento fê-lo com as suas datas de nascimento e 18 por cento com fotografias. Estas percentagens mais do que triplicam os resultados do mesmo inquérito efectuado 5 anos antes! Esta revelação, apesar dos autores do estudo alertarem para o facto do questionário não apurar o contexto em que tais dados são fornecidos, estão a levar alguns especialistas a questionar a necessidade de desenvolvimento de novas abordagens no domínio da educação para a segurança online de crianças e jovens que têm feito do não fornecimento de dados pessoais um dos seus principais focos. Questiono-me sobre as razões que levam então os jovens a fornecerem os seus dados pessoais, apesar de todas as campanhas de educação e sensibilização aconselharem o contrário. Será por não lhes explicarmos suficientemente o "porquê"?

Diferenças Entre o Real e o Virtual
Recentemente li uma entrevista com uma investigadora que poderá ajudar-nos a sensibilizar crianças e jovens para os riscos associados à sua exposição online. Danah Boyd, investigadora da Universidade da Califórnia, tem focado a sua investigação na forma como os jovens se envolvem em sites de redes sociais tais como o MySpace, o LiveJournal, o Xanga e o YouTube. Numa entrevista recente, quando questionada sobre as diferenças entre as redes sociais online e offline, adiantou que as diferenças assentam fundamentalmente em quatro aspectos que diferenciam as redes sociais virtuais das reais. Segundo Danah, esses quatro aspectos são estruturantes nas redes sociais virtuais e geralmente não fazem parte das suas congéneres reais:

  • "Persistência" - Aquilo que dizemos, fazemos ou colocamos online, tem a tendência de ficar registado para a posteridade. Para sempre. Quer se queira, quer não.
  • "Pesquisabilidade" - A partir do momento em que essa informação fica registada online, qualquer pessoa - bem ou mal intencionada - poderá encontrar e aceder a ela. Seja amanhã ou daqui a uma ou mais décadas.
  • "Replicabilidade" - A replicabilidade da informação significa que aquilo que dizemos e que os outros dizem online, numa conversa entre amigos, os comentários que se fazem num blog ou as fotos que se colocam num site de uma rede social, a partir do momento que estão online, deixam de estar sobre o nosso controlo. Essa informação, uma vez encontrada, qualquer pessoa a pode usar e disseminar através da Internet. E em contextos que podem ser completamente diferentes daquele em que a informação foi originalmente colocada online. E pode fazê-lo de diversas formas. Seja em mensagens de correio electrónico, mensagens instantâneas, perfis diversos, páginas de blogs (áudio, foto e vídeo), redes sociais e de partilha de ficheiros, etc. Este aspecto, aliado à persistência da informação acima referida, tem dado origem a inúmeros casos preocupantes ao nível da segurança e do bem estar de crianças, jovens e até de adultos.
  • "Audiências Invisíveis" - Na rua, num centro comercial, num jardim, num café, etc. - aquilo a que Danah Boyd chama ambientes não mediados - podemos sempre olhar à nossa volta para termos uma ideia sobre quem poderá ver ou ouvir o que vamos fazer ou dizer. Em função disso podemos sempre ajustar o que vamos dizer ou fazer. Por exemplo, falar com um volume de voz mais baixo para que outros não nos oiçam ou fazer algo mais discretamente para que outros não se apercebam do que vamos fazer. Resumindo, compreendo o contexto do local em que nos encontramos e as reacções previsíveis das pessoas que aí se encontram, tomamos uma decisão sobre o que é ou não é apropriado dizer. Todavia, num site, num fórum, num blog, num photoblog ou num site de uma das muitas redes sociais existentes - ambientes mediados, na terminologia de Boyd - não temos forma de proceder da mesma forma. Não temos forma de saber quem nos poderá ver ou ouvir. Nunca sabemos com quem estamos a partilhar a informação. Mesmo que o façamos através de uma página privada, nunca sabemos de facto o que outros poderão fazer. Não apenas hoje, mas amanhã ou daqui a 10 anos. Não só porque não sabemos quem nos poderá estar a ver e ouvir no momento, mas também no futuro, o que está intimamente relacionado com os outros dois conceitos referidos apresentados pela investigadora: persistência e pesquisabilidade.

Explicar estas diferenças e particularidades a crianças e jovens parece-me da maior importância no sentido de promover a sua segurança online.



Artigos Anteriores:
> Pirâmides de Confiança
> Como Evitar a Exposição Involuntária a Conteúdos Impróprios ou Nocivos
> Exposição Involuntária de Menores à Pornografia na Internet
> Fotos de Alunos na Internet - Parte II
> Fotos de Alunos na Internet - Parte I

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