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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2007 - FEVEREIRO
Pirâmides de Confiança
Por Tito de Morais

Como deixar os seus filhos, educandos - ou jovens utentes de um espaço público de acesso à Internet - disfrutar desta sem se exporem ao riscos de contactos de desconhecidos, por ventura mal intencionados? Este artigo visa contextualizar o problema e sugerir algumas soluções.

A Internet é uma tecnologia de informação e comunicação. Como tal, entre muitas outras coisas, facilita drasticamente os contactos entre as pessoas. Essa é de facto uma das suas muitas maravilhas. As histórias que geralmente costumo contar nas acções de sensibilização em que participo como orador ou formador, resultam geralmente da minha experiência pessoal ou daquelas que me são reportadas. Uma que costumo contar a este propósito resulta de algo que nos dia de hoje seria quase inimaginável. Por razões que agora não importam para o caso, a verdade é que conheci grande parte da minha família próxima apenas aos 10 anos de idade. Entre nós havia cerca de uma dezena de milhar de quilómetros e pelo menos um oceano a separar-nos. À época, as chamadas internacionais tinham de ser marcadas com horas de antecedência. Passavam obrigatoriamente por uma telefonista e quando se conseguia falar, ouvia-se mal. Raro, era ouvir-se bem. Hoje, essa situação seria praticamente impensável. Apesar de continuar a ter familiares próximos a viver fora de Portugal, essas barreiras desapareceram. Mas não foram só este tipo de barreiras que desapareceram. Através da Internet conheci pessoas com quem partilho o mesmo tipo de interesses. Pessoas com quem estabeleci grandes amizades. Em Portugal e no estrangeiro. Pessoas dos mais variados escalões etários que conheci primeiro virtualmente e depois pessoalmente. Algumas que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente. Graças à Internet, retomei até o contacto com antigos colegas de liceu e amizades de infância. Mas a este nível, o caso mais caricato que conheci sobre barreiras que foram derrubadas pela Internet foi o de dois vizinhos de um mesmo prédio que se conheceram graças à Internet. A coisa chegou ao ponto de às tantas da manhã, ambos assomarem às escadas do prédio para de facto acreditarem no que se estava a passar.

Homem, Animal Social.
O homem é de facto um animal social, mas por vezes parece que se fecha sobre si mesmo. Já com as crianças é diferente. Ponham duas crianças numa sala e elas rapidamente começam a interagir uma com a outra. Faça-se o mesmo com dois adolescentes e o mesmo poderá acontecer, mas já não tão rapidamente. E com dois adultos mais tempo provavelmente terá de decorrer até que a interacção exista. Tudo isto em abstracto, claro está, que o contexto obviamente tem influência. Tudo isto para dizer que à medida que crescemos vamos criando as nossas próprias barreiras. Como os que referi há pouco. Apesar de vizinhos num mesmo prédio, não se conheciam.

A Web Social
Assim, não será de admirar que as crianças e os jovens, sobretudo os adolescentes, sejam imensamente atraídos pela facilidade de estabelecer contactos, conhecer novas pessoas, fazer novas amizades que a Internet possibilita. Afinal esta é uma idade em que a ânsia de pertencer a um grupo é maior. E essa é uma das formas que diferencia a utilização que crianças, jovens e adultos fazem da Internet. E acredito que isto seja tão mais verdade quanto a Internet cresce em termos de mecanismos interactivos como os que caracterizam aquilo a que se convencionou chamar a Web2.0, ou sejam as comunidades desenvolvidas em torno de sites como o hi5 e o YouTube. Consultem-se as listas de amigos de alguns jovens e percebe-se a diferença. As listas de contactos da generalidade dos adultos no Messenger, por exemplo, podem contar-se por uma ou outra dezena. A de um(a) adolescente em várias dezenas, senão mesmo centenas ou mais de um milhar. Sobretudo quando falamos em sites de redes sociais como o hi5, o MySpace, o FaceBox, etc.

Cresce a Preocupação
Como adultos, podemos ter alguma dificuldade em perceber como "eles" podem ter tantos contactos. Podemos achar mesmo impossível. Para isso nada como verificar para se ver com os nossos próprios olhos. Mas é possível e não é fora do comum. Mas é aí que nascem as preocupações de muitas famílias, escolas e comunidades. Aí nasce o desafio que agora se desmultiplica com o evento dos sites de redes sociais: como deixá-los disfrutar desta realidade sem que se exponham ao riscos de contactos de desconhecidos, por ventura mal intencionados?

O Princípio da Solução
O princípio da solução já o referi no artigo "7 Regras Para a Segurança Online de Crianças e Jovens" - Parte I e Parte II - mas passa também por reconhecermos a realidade que acima referi. As listas de contactos, crescem desmesuradamente, porque muitas vezes as crianças e jovens fazem disso gáudio entre si. A coisa transforma-se quase numa competição, para ver quem tem mais contactos nas suas listas. Sobretudo nas redes sociais onde isso está mais visível e onde pode ser um indicador de popularidade. E qual é o jovem adolescente que não quer ser popular entre os seus pares? Daí a acrescentarem-se à lista qualquer "bicho careta" que os solicita para o fazerem é um passo. Demasiado fácil. Compreensivelmente. Mas não se pense que este é um comportamento exclusivo dos jovens. Quem já utilizou sites como o LinkedIn, uma rede social de contactos profissionais, já terá verificado que o mesmo pode acontecer com alguns adultos. Mas para uma criança, um primeiro passo para uma maior segurança poderá passar por estabelecer algum critério ao nível de pessoas que estas podem adicionar à sua lista de contactos. "Só podes acrescentar pessoas que conheças do mundo real, e todas as outras, só podem ser acrescentadas com a minha autorização", por exemplo. Mas isso começa a ser mais difícil com adolescentes. Daí ter-me ocorrido o conceito de pirâmide de confiança.

O Que é Uma Pirâmide de Confiança?
O facto de sites das redes sociais e do Messenger levarem as crianças e os jovens a classificarem esses contactos como "amigos" não faz desses contactos, necessariamente "amigos", no verdadeiro sentido da palavra. Esta é uma distinção que importa sublinhar junto de crianças e jovens e que releva a importância da criação de uma pirâmide de confiança que hierarquize estes contactos. Assim:

  • No topo da pirâmide estão os familiares
  • No nível seguinte, a contar de cima, estão os amigos que conhecemos presencialmente, na vida real
  • No nível imediatamente abaixo, estão os conhecidos. Aqueles que conhecemos da presencialmente da vida real, mas que não consideramos verdadeiramente como amigos
  • No nível inferior da pirâmide, está o "resto do mundo", isto é, pessoas que apenas "conhecemos" da Internet e que apesar de fazerem parte da lista de "amigos", são na realidade desconhecidos.
Refiro-me a esta categorização como pirâmide, porque acredito que tendencialmente o volume do número de contactos decresce de baixo para cima. No caso de adolescentes com mais de uma centena de contactos, quase que sou tentado a afirmar que a categoria "resto do mundo" incluirá aproximadamente 80% dos contactos, e as restantes, 15%, 4% e 1%, respectivamente. Mas esta é apenas uma teoria não confirmada que o seu feedback, sempre bem-vindo, poderá confirmar ou desmentir.

Mas o importante a reter é que o nível de confiança dos contactos de cada um destes patamares deve ser tão mais alto quanto mais acima na pirâmide eles estiverem. E tão mais baixo, quanto mais na base da pirâmide eles se encontrarem. A ideia é que as crianças e os jovens devem relacionar-se e confiar nestas "categorias" de pessoas da mesma forma como se relacionam com elas no mundo real.

Para além da solução já referida no artigo "7 Regras Para a Segurança Online de Crianças e Jovens" - Parte I e Parte II - esta é apenas uma das estratégias para minimizar os riscos associados aos contactos com desconhecidos através da Internet. Para a semana, voltarei ao assunto.



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