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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2006 - NOVEMBRO
Mapas Mentais e Trabalhos Escolares
Por Tito de Morais
Tal como muitos miúdos da sua idade, o meu filho de 10 anos há muito percebeu que, recorrendo a um motor de pesquisa, pode encontrar informação sobre tudo ou quase tudo o que precise. Assim, não é de admirar que a Internet se tenha tornado a principal fonte de informação da sua geração.
Há tempos, quando o fui buscar à escola, no caminho para casa perguntei-lhe, como rotineiramente o faço, que aulas tinha tido e o que tinham feito nessas aulas. Percebi que na disciplina de Área Projecto iam desenvolver trabalhos de grupo sobre diversos temas. Ficara no grupo que ia desenvolver o tema "Meios de Comunicação"! O seu entusiasmo pelo tema reflecte-se não só na frequência com que falamos sobre o assunto, como também no afã com que pesquisa sobre o tema na Internet. Como referi na abertura, não é de admirar que a Internet se tenha tornado a principal fonte de informação desta geração. E se por um lado isso é bom, por outro, como pais, professores e educadores, apresenta-nos alguns problemas para os quais nem sempre estamos despertos.
Ideias Com Princípio, Meio e Fim
Uma das surpresas com que me confrontei, não directamente relacionada com o que acabo de referir, foi com a falta de estrutura do trabalho. Estava perante uma colagem de textos que mais parecia uma manta de retalhos, sem um fio condutor. Este facto levou-me a interrogar-me sobre se ainda não ensinam os miúdos as estruturar este tipo de trabalhos. É que no meu tempo não se ensinava. Aprendi por mim. Sozinho. Empiricamente. Mas sempre atribuí isso a uma lacuna derivada de algum desnorte que afectou o ensino no meu tempo de estudante. Vai daí dei-lhe uma ajuda que partilho convosco pois acredito poder ser útil a outros pais, professores e educadores.
Mapas Mentais
Comecei por pegar numa folha de papel em branco. No meio desenhei um círculo. Dentro deste escrevi "Meios de Comunicação". Depois fiz-lhe uma pergunta: "Quais os principais meios de comunicação que conheces?". A cada resposta ia desenhando outra bola que partia da primeira. Assim, em pouco tempo, da bola central saíam outras tais como, "TV", "Rádio", "Jornais", "Internet", etc. Mas entre outras apareciam também, "pontes", "auto-estradas", etc. Foi uma oportunidade para fazer a distinção entre "vias de comunicação" e "meios de comunicação". O mesmo aconteceu com "meios de transporte", tais como "comboio", "avião", etc. Deste diálogo resultou a eliminação de algumas "bolas". Por outro lado, outras foram agrupadas, como foi o caso de "jornais", "revistas", "rádio" e "televisão" que passaram a figurar debaixo de uma outra bola denominada "meios de comunicação social".
Na fase seguinte, a título de exemplo, sugeri que pegássemos na bola "Internet" e perguntei-lhe: "Quais os meios que usas para comunicar através da Internet?". A partir das suas respostas, tal como fizéramos com "meios de comunicação social", criámos uma nova série de bolas a partir da bola "Internet". Estas incluíam termos como "email", "messenger", "blogs", etc. Chegados a esta fase, disse-lhe que já tinha a estrutura do trabalho definida. As bolas representavam os títulos e sub-títulos do trabalho. Bastaria agora imaginar uma pergunta para cada bola e escrever umas quantas linhas de texto em resposta à pergunta. Para além disso precisariam de pensar um texto para introduzir o tema e outro para a conclusão. Por fim, agora bastaria combinar com os seus colegas de grupo quem trataria de desenvolver os textos de cada uma das bolas.
Esta é uma técnica que dá pelo nome de "mind maps" (mapas mentais) e para a qual existe software gratuito disponível no mercado e que ajuda ao desenvolvimento de mapas mentais como o que referi. No entanto, é algo que também pode ser feito, como eu fiz, sem recorrer a tecnologia de ponta. Uma caneta e umas quantas folhas de papel chegam. Mas o software facilita bastante a tarefa e para os miúdos torna-se um motivo adicional de interesse.
"O Que Tem Isto a Ver Com Segurança?!"
A pergunta é legítima. Aparentemente nada, mas na realidade, com esta abordagem procurei sensibilizar o miúdo para o facto da informação estar disponível na Internet não quer dizer que ela seja verdadeira. Procurei também incentivá-lo a complementar as suas pesquisas na Internet com outras fontes de informação. Por outro lado, procurei também sensibilizá-lo para o facto do "corta & cola" de textos da Internet se poder transformar numa aldrabice equivalente aos "copianços". Referi ainda a importância de se citarem as fontes neste tipo de trabalhos, sensibilizando-o para o problema do plágio escolar. Por fim, ao introduzi-lo à técnica dos mapas mentais e ao software que os ajuda a desenvolver, ajudei-o a adquirir uma competência na qual detectei lacunas e cujo suprimento lhe poderá ser útil no futuro. Desta forma, acredito que podemos ajudar os nossos filhos e educandos a minimizar alguns dos riscos a que podem estar expostos na utilização das tecnologias de informação e comunicação, maximizando os benefícios que estas têm para lhes oferecer, quando usadas de uma forma ética, responsável e segura.
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