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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2005 - JULHO
Segurança Rodoviária & Segurança Internet
Por Tito de Morais

Acho que todos aqueles que se preocupam com a segurança na Internet em geral - e com a segurança online de crianças e jovens em particular - têm muito a aprender com o que se tem feito ao nível das campanhas pela segurança rodoviária. No artigo de hoje procuro dar um contributo nesse sentido.

De algum tempo a esta parte tenho estado a trabalhar na criação de uma analogia entre a utilização do cinto de segurança e a segurança de crianças e jovens na Internet, como forma de explicar de uma forma acessível como deve ser abordada a promoção da utilização responsável e segura das novas tecnologias de comunicação por crianças e jovens. Por coincidência, há dias, numa lista de discussão sobre segurança da informação, este tema veio à baila.

"Cinto Apertado ou Condutor Multado"
No Reino Unido, durante anos, uma campanha promoveu a utilização do cinto de segurança, recorrendo para isso a celebridades e a uma frase curta e apelativa ("Clunk, click, every trip") que basicamente aconselhava a apertar o cinto de segurança em todas as viagens. Nos Estados Unidos, acontece o mesmo com campanhas semelhantes que usam slogans como "Click It or Ticket" ou "Buckle Up or Pay Up". Basicamente, a ideia pode ser traduzida como algo do género "Cinto Apertado ou Condutor Multado". Estes slogans são quanto a mim demasiado redutores, limitando-se ao aspecto legal da utilização do cinto de segurança. Por isso e porque acho que não usamos o cinto de segurança apenas por uma questão legal, resolvi partilhar aqui esta analogia.

Analogia
Ajudar as crianças e os jovens a estarem seguros nas auto-estradas da informação é como certificar-se que eles estão bem seguros quando os levamos de carro a qualquer lado. Para que todos possam disfrutar de uma viagem agradável e segura, são necessários determinados recursos e atitudes. Na Internet também. Senão vejamos as semelhanças.

Abordagem Tecnológica
Assim como confiamos no cinto de segurança, no air-bag e noutras tecnologias para garantir uma viagem de automóvel agradável e segura, também existem diversas tecnologias de segurança Internet nas quais podemos e devemos confiar. Por isso é importante sabermos quais são, quais escolhermos e usarmos para proteger as crianças e os jovens.

Abordagem Parental
Mas ter cinto de segurança não basta! É preciso usá-lo. Por isso, geralmente sentamos e apertamos o cinto de segurança da cadeirinha dos nossos miúdos mais pequenos. Na Internet, também não basta dispor de tecnologias de segurança. Também é necessário dar aos miúdos essa ajuda extra, para nos certificarmos que eles não "tropeçam" em situações que os coloquem em risco ou, no mínimo, para que eles saibam como actuar se tal acontecer. E assim como também nos certificamos que todos têm o cinto de segurança apertado antes de arrancar, na Internet também precisamos de exercer o mesmo tipo de supervisão para nos certificar que os miúdos fazem o que deles se espera para se protegerem online.

Abordagem Educacional
Assim como ensinamos os miúdos como e porque precisam de apertar o cinto de segurança, para que eles o façam por si próprios à medida que crescem, na Internet também é necessário explicar aos miúdos os riscos a que podem estar expostos online e ensinar-lhes como se podem e devem proteger. Até porque não podemos estar sempre ao seu lado ou a espreitar por trás do ombro de cada vez que eles se ligam à Internet.

Abordagem Legal
Ao contrário dos cintos de segurança nos automóveis, as tecnologias de segurança na Internet não são legalmente obrigatórias. Mas existem leis e todos temos de conhecer os nossos direitos e obrigações na Internet. O que é e não é permitido. Seja por lei ou por regras ou regulamentos domésticos, escolares ou comunitários, como no caso de espaços públicos que fornecem acesso à Internet a crianças e jovens.

Usar o Cinto é a Atitude Correcta
Mas não usamos cinto de segurança só porque é obrigatório. Também o fazemos porque sabemos que essa é a atitude correcta. Por isso, o uso do cinto de segurança é uma rotina que procuramos transformar num hábito familiar. Na esperança que as nossas crianças façam o mesmo sempre que sejam transportadas por terceiros ou, à medida que crescem, sempre que eles próprios transportam outros. Nas auto-estradas da informação passa-se exactamente a mesma coisa. Tal como no caso dos cintos de segurança, a segurança na Internet tem de se tornar um hábito. Onde quer que as crianças e os jovens acedam às auto-estradas da informação.

No Reino Unido, como em muitos outros países, incluindo Portugal, depois de vários milhões gastos em campanhas publicitárias, agora somos multados caso não estejamos a usar o cinto de segurança e as campanhas publicitárias tornaram-se visualmente mais explícitas. No Estados Unidos, por exemplo, as bibliotecas públicas que não disponham de sistemas de filtragem não se podem candidatar a programas financiamento promovidos pelo Congresso. Temos a oportunidade de abordar a questão de uma forma abrangente como a que referi acima. Basta que o queiramos fazer. Se assim não for, temo que mais tarde ou mais cedo, as coisas se imponham pela via exclusivamente legal. Provavelmente na sequência de uma tragédia.

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in Info&Net, A Capital, Lisboa, 01 de Julho de 2005



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