![]() Minimizar Riscos, Maximizar Benefícios. |
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Por Tito de Morais Uma das realidades com que me confronto quando faço palestras em escolas sobre a segurança online de crianças e jovens, é o aparente(?) divórcio entre pais e professores. Quando as palestras são promovidas por professores aparecem pouco pais. Quando o são por pais, aparecem poucos professores. Há dias, numa palestra que a este nível constituiu uma excepção, confirmei a ideia que tinha relativamente à razão de ser para tal aparente -espero eu - divórcio. Após a minha palestra e durante o período de perguntas e respostas que sempre se segue e que propicia um útil e agradável esclarecimento de dúvidas, troca de experiências e debate de ideias, uma mãe colocou a questão: "Em casa tudo bem, nós podemos tratar de minimizar os riscos a que os nossos filhos estão expostos. Mas e na escola?! O que fazem os professores, quanto ao assunto?!" Este tipo de posições por parte dos pais, que se caracteriza pelo afrontamento dos professores em nada contribui para a criação de condições que contribuam para a promoção da utilização responsável e segura da Internet por crianças e jovens. Pessoalmente, como tive oportunidade de referir acho-a até extremamente injusta. De facto, se muito pouco ou quase nada se tem feito em Portugal por quem de direito para promover a promoção da utilização responsável e segura da Internet por crianças e jovens em ambiente familiar, deixando-os entregues a si próprios e deixando os pais a "apanhar bonés", o mesmo se passa relativamente aos professores. Por exemplo, um estudo da UE que já aqui referi, diz-nos que 66% dos pais portugueses dizem que precisam de mais informação sobre como proteger os seus filhos de conteúdos ilegais ou nocivos e contactos através da Internet, quando a média europeia se situa nos 48%. Esse mesmo estudo refere que 55% dos pais portugueses afirmam que os seus filhos não saberiam como agir se confrontados com algo na Internet que os façam sentir desconfortáveis, enquanto que a média comunitária é de 38%. Em Portugal, 30% dos pais nem sabiam como responder à pergunta, contra os 19% da média comunitária. Por fim, 67% dos pais portugueses não sabe onde e a quem denunciar a existência de conteúdos ilegais ou nocivos, contra os 38% da média comunitária. Não tenho muitas dúvidas que se estas mesmas perguntas fossem colocadas a professores, as percentagens não seriam muito díspares. E porquê, poderão perguntar. Por uma razão muito simples. É que todo o foco nacional tem sido colocado praticamente em exclusivo no esforço de recuperar o acesso de Portugal na adopção das novas tecnologias de informação e comunicação, seja nas empresas, em casa ou na escola. A utilização responsável e segura não é uma prioridade e como tal, tão pouco são matérias curriculares. A título de exemplo, estabeleça-se um paralelo com a segurança física. Há tempos foi promulgada legislação relativamente aos planos de segurança e emergência nas escolas. A esmagadora maioria das escolas debateu-se com graves dificuldades na elaboração dos mesmos. Numa segunda fase, o Ministério da Educação publicou documentação de apoio à implementação desses planos. No entanto, não foram feitas acções de formação sobre como implementar esses planos. Na realidade, qualquer pessoa, mesmo sem experiência na matéria, que consulte a referida documentação facilmente se apercebe que dificilmente um professor tem formação para proceder à implementação de tal plano. Daí que, muitos dos planos desenvolvidos sejam cópias uns dos outros, estejam a acumular poeiras nas prateleiras à espera que a desgraça se dê. Vejamos o caso da segurança informática. Legislação específica ao nível da segurança e da protecção da privacidade das crianças e dos jovens online, seja em casa, na escola ou nos espaços públicos não existe. Documentação de apoio a este nível para professores, assim como a formação são igualmente inexistentes, o mesmo acontecendo com a documentação. Perante este cenário, diria mesmo que os "desgraçados" dos professores ainda estão numa situação pior que os pais. Ou seja, em casa temos Internet quem pode e quer, logo podemos ou não ter de lidar com os problemas que ela nos pode colocar, enquanto que nas escolas os professores são quase que "forçados" a lidar com o problema. E como já vimos, apoio é coisa que não têm. Como disse todos os apoios estão focados na formação para a utilização. A segurança virá depois. Entretanto, cada um vai-se "amanhando" como pode ou sabe. Por tudo isto acho que pedir responsabilidades aos professores sobre este assunto é altamente injusto. O problema não está nos professores. Está mais acima. Por outro lado, e retomando o paralelismo com os planos de segurança e emergência das escolas, aqueles de que tenho conhecimento e que poderão eventualmente ser apresentados como modelos a seguir, partiram de iniciativas conjuntas de pais e professores. E o mesmo acontece com a promoção da utilização responsável e segura da Internet por crianças e jovens. Esta também deve ser uma tarefa e uma responsabilidade partilhada. Pais e professores estão do mesmo lado da "barricada". Assim, em vez de se perguntar "e o que estão os professores a fazer?!" a questão deverá ser antes, "como posso ajudar". E aí, na sequência do artigo da semana passada, a definição de uma política de utilização da Internet é um excelente primeiro passo. Mas sobre esse assunto falarei numa outra oportunidade.
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