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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2005 - ABRIL
Os Cinco Erros Mais Comuns na Segurança Online de Crianças e Jovens e Como os Evitar
Por Tito de Morais

Por vezes julgamos que temos a solução para um problema. No entanto aprofundando a questão podemos chegar à conclusão que na realidade a solução que adoptámos não resolve nada. Apenas ilude o problema. No caso da segurança online de crianças e jovens, dando-nos uma falsa sensação de segurança.

O feedback que tenho obtido a estes artigos, seja sob a forma de mensagens de email seja através de contactos directos em palestras, seminários e conferências nas quais tenho participado como orador, permitiram-me identificar os 5 erros mais comuns que pais e educadores cometem no que diz respeito à adopção de soluções para a segurança online de crianças e jovens. Neste artigo procuro identificar esses erros e apontar algumas soluções no sentido de os evitar.

"Esses riscos são largamente exagerados!"
Tendencialmente é natural que tenhamos tendência para nos focarmos nos aspectos positivos da utilização da Internet por crianças e jovens, esquecendo ou ignorando os aspectos potencialmente negativos dessa utilização. É natural, digo eu, porque esse é também o "discurso oficial". E se é verdade que a abordagem dos meios de comunicação social a esta problemática é por vezes sensacionalista e alarmista, é igualmente verdade que ao desprezarmos os riscos, estamos na prática a subestimar esses riscos, "baixando a guarda" e aumentando consequentemente a exposição das crianças e dos jovens ao risco. A solução aqui é colocar a questão no "seu sítio", isto é, não nos deixarmos cair "nem no oito, nem no oitenta". Usando mais dois clichés, "mais vale prevenir do que remediar" e o melhor é "jogar pelo seguro". Não nos alarmarmos, mas também não nos tornarmos displicentes.

"Eu tirei a Internet lá de casa!"
Se o primeiro exemplo que dei, representa um extremo, este tipo de atitude representa o outro extremo. Ou seja, exageramos o problema de tal forma que adoptamos outra solução igualmente radical. Na prática, não resolvemos nada, porque nos esquecemos ou ignoramos que hoje as crianças não acedem à Internet só a partir de casa. De facto a maioria até o faz a partir da escola. E ao retirarmos a Internet lá de casa, onde tal como na escola, ainda podíamos de alguma forma controlar o problema, estamos na prática a iludir-nos e a perder totalmente o controlo da situação porque esse facto não vai impedir a criança de aceder à Internet. Vai apenas fazer com que a criança aceda à Internet a partir de outros locais, tal como a casa do vizinho, do amigo, colega ou familiar, isto para já não falar de locais públicos de acesso gratuito ou não, tais como cibercafés, espaços Internet, bibliotecas públicas, etc. Para além disso, com esta atitude estamos também a privar a criança do acesso a uma fonte inesgotável de recursos hoje em dia essenciais para a sua educação, formação e desenvolvimento. Estamos na prática a colocar a criança num situação de inferioridade face aos seus colegas, estamos assim, a contribuir decisivamente para reduzir a sua competitividade futura, minando o seu potencial de desenvolvimento. Por isso, se tirou a Internet lá de casa ou se não a tem por medos dos riscos a que os miúdos podem ficar expostos, reconsidere. Não prive os miúdos deste recurso fabuloso. A solução não passa por não ter acesso. A solução passa por ter acesso.

"Eu desinstalei o Messenger!"
O risco das crianças estabelecerem contactos online com pessoas que não tenham boas intenções é dos riscos que mais preocupa pais e educadores. O Instant Messenging é, por outro lado, uma das ferramentas de contacto mais populares entre os jovens e é um dos programas que pais e educadores conhecem. Mas existem outros. Muitos outras mesmo. Assim, "desinstalar o Messenger" não resolve nada. Se não puder usar o Messenger, em vez disso o jovem vai usar uma qualquer outra aplicação de IM que os pais não conheçam como o ICQ ou outra. Ou vai usar outro tipo de serviços - como o IRC, os chat rooms, blogs, photoblogs, etc. - que lhe permitam manter-se em contacto com os amigos e colegas, reais ou virtuais. A solução então não passa por desinstalar estas aplicações, até porque algumas delas não estão instaladas no computador, mas sim por acordar regras de utilização e por ensinar a usá-las de uma forma responsável e segura.

"Eu tenho firewall, anti-vírus e filtro essas coisas!"
Ter uma firewall e um anti-vírus são medidas essenciais no domínio da segurança online. Os programas de filtragem de conteúdos também podem ser uma ferramenta para a segurança online de crianças e jovens. No entanto, a tecnologia por si só, como já aqui referi em artigos anteriores, ajuda mas não resolve nada. Hoje em dia uma firewall e um anti-vírus têm de ser mantidos actualizados numa base diária. Por outro lado, é sabido que o software de filtragem de conteúdos pode bloquear em excesso, bloqueando páginas legítimas. Pode não bloquear outras coisas que se pretendia que bloqueassem. Podem pura e simplesmente ser desactivados ou iludidos, existindo mesmo sites que ensinam a fazê-lo. Assim, se é útil incluir tecnologia no seu plano de segurança, é sensato não se iludir com a ideia de que a tecnologia tudo resolve. Para isso, é essencial adoptar também outro tipo de abordagens, nomeadamente parentais e educacionais.

"Não posso fazer nada! Eles sabem mais de computadores do que eu!"
Se isto pode ser verdade, uma outra verdade é que pais e educadores têm mais experiência de vida que os seus filhos ou educandos. Assim, não é o facto destes perceberem mais de computadores ou de Internet que faz com que não tenhamos uma palavra a dizer. Salvaguardando as devidas distâncias, afinal você não precisa de ser fumador, alcoólico ou toxicodependente para explicar aos seus filhos os malefícios do tabaco, do álcool ou das drogas! Como já referi nos ponto anteriores, a segurança online de crianças e jovens não é um problema tecnológico. Tem uma componente tecnológica, mas é essencialmente um problema de pessoas. Assim, se não se sente confortável ou à vontade com as tecnologias, adopte outro tipo de abordagens, nomeadamente abordagens ao nível parental e educacional. E isso pode passar por ter de aprender alguma coisa de novo. E aí não se esqueça que os seus filhos e educandos também têm algo para lhe ensinar.

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in Info&Net, A Capital, Lisboa, 22 de Abril de 2005



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