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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2005 - MARÇO
A Internet dos Zero aos Seis Anos
Por Tito de Morais
À primeira vista poderemos pensar que uma criança não é utilizadora das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC). Se as TIC apenas agora começam a ser uma realidade no pré-escolar, já no primeiro ciclo do ensino básico e de grande parte dos lares portugueses, as TIC são já uma firme realidade.
Não é assim de espantar que os primeiros contactos com as novas tecnologias de informação e comunicação se verifiquem em idades bem mais precoces do que à primeira vista seriamos levados a supor. Basta pensarmos nos casos de adolescentes que usam o computador com os seus irmãos ou irmãs mais novas a espreitar por detrás das costas. Ou nos casos, também eles mais habituais do que possamos pensar, de pais e mães que usam o computador com o bebé ao colo. As crianças começam, assim, a interagir com o computador na presença de uma pessoa mais velha ou de um adulto, hábito que faz todo o sentido, mas que infelizmente e de forma não tão gradual quanto seria desejável, se vai perdendo.
As TIC, estão aí para ficar
As TIC, estão aí para ficar. E não adianta resistir-lhes. O melhor que podemos fazer como pais é procurar que os nossos filhos tirem delas o maior partido, contribuindo, assim, para a sua formação, educação e desenvolvimento. Como pais, só teremos a ganhar em aproveitar as oportunidades fornecidas por estes meios para criar hábitos de exploração conjunta e para reforçar laços afectivos entre pais e filhos.
Utilizadores até aos 4 Anos
Na perspectiva do que afirmei antes, é importante criar espaço para a criança também poder utilizar o teclado. Para poder mexer no rato e nos seus botões. Para apontar e mexer no écran. Por pouco convencional que essa utilização nos possa parecer. Se assim acontece com os tachos, panelas e tupperware's que se encontram no armário da cozinha e com outros objectos não pontiagudos do nosso quotidiano, porque não com os computadores?! Existem já alguns sites e actividades online adequados a este grupo etário, ricos em termos de imagem, cor, movimento e som. Encare o computador como mais um extensão das actividades que já faz em conjunto com os seus filhos. Explorem estes sites em conjunto. Não só estará a garantir a segurança dos miúdos online desde uma idade precoce, como também estará a assegurar-lhes uma experiência agradável. Para isso, inicialmente, ao nível dos conteúdos, proceda do mesmo modo como quando vê televisão na presença das crianças.
A Escola Começa Aos 5/6 Anos
Quer use o computador em casa na companhia do seus filhos ou não, uma coisa é certa: quando eles entrarem para a escola, não tardará muito que lhe comecem a pedir para irem aos sites cujos endereços figuram nos seus livros escolares. Se tiver televisão por cabo, não se admire se começar a ser solicitado para o levar aos sites dos seus programas ou canais favoritos. À medida que os miúdos crescem tornam-se mais independentes e começam querer explorar estes recursos por si próprios. Fazendo as suas próprias descobertas e os seus próprios erros. Todavia, e como em tudo nestas idades, também aqui não devem ser deixados entregues a si próprios. O melhor é escolher os websites que podem visitar e não os deixar abandonar esses sites, sem autorização prévia. Supervisione. E não se esqueça que supervisionar não implica estar permanentemente atrás dele. Dê uma espreitadela de vez em quando para se assegurar que eles se mantêm onde é suposto estarem. Quando os miúdos começam a aprender a ler é habitual começarem a querer ser eles próprios a introduzir os endereços. Apesar de parecer inocente, esta liberdade encerra alguns perigos. Por esta e outras razões, nesta altura - senão mesmo antes - torna-se importante introduzir algumas regras. Sobre a criação de regras para uma utilização responsável e segura das novas tecnologias de informação e comunicação já aqui escrevi. Pode consultar dois desses artigos online aqui: "7 Regras Para a Segurança Online de Crianças e Jovens - Parte I" e em "7 Regras Para a Segurança Online de Crianças e Jovens - Parte II". No sentido de contratualizar as regras referidas nestes artigos, recomendo ainda uma leitura do artigo "Contrato Familiar Sobre a Utilização da Internet".
Por fim, deixe as crianças explorar as TIC, mas certifique-se que o fazem em segurança e que dessa utilização advém uma experiência positiva. Em próximos artigos procurarei abordar a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens de outros escalões etários, mas se entretanto pretender ver abordados alguns temas específicos, se tiver alguma pergunta sobre a utilização segura e responsável das TIC por parte de crianças e jovens, não se acanhe e envie-me um email. Dentro da medida do possível, procurarei responder às suas perguntas, abordando temas com elas relacionados.
 in Info&Net, A Capital, Lisboa, 04 de Março de 2005
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