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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2005 - JANEIRO
Martin Luther King, Jr. e o Ódio na Internet
Por Tito de Morais

Nos Estados Unidos, na terceira segunda-feira de Janeiro celebra-se um feriado nacional em honra de Martin Luther King, Jr., apóstolo da não-violência e da luta pelos direitos cívicos na América e no mundo. "O que tem isso a ver com a segurança online de crianças e jovens?!", poderão perguntar. Vamos ver...

Quando se fala da segurança de crianças e jovens online, geralmente a pornografia e outras formas de exploração e abuso sexual de menores abafam tudo o resto. Se é verdade que a Internet pode ser um terreno fértil para a exploração comercial do sexo, esta não é a única manifestação que pode ser considerada ofensiva dos valores segundo os quais, famílias, escolas e comunidades pretendem formar e educar a suas crianças e jovens. Sem querer menosprezar ou minimizar este aspecto, hoje gostaria de falar de outro tipo de valores, tais como a liberdade e o direito à diferença que, tal como na vida real, podem ser ofendidos na Internet por conteúdos que incentivem à intolerância, ao ódio, à discriminação e à segregação.

A Propaganda Pela Informação
Quando procurei informação sobre Martin Luther King num motor de pesquisa, um dos primeiros resultados da página de pesquisa prometia "um valioso recurso para professores e estudantes". No entanto, apesar do aspecto altamente profissional do site, com gráficos e fotografias de qualidade e títulos insuspeitos, rapidamente me apercebi estar perante um site que mais não fazia do que difamar a figura de Martin Luther King, Jr. Uma observação mais atenta confirma as minhas suspeitas ao reparar que o site é alojado por uma organização apologista do "Orgulho Branco", destinada a "activistas pró-Brancos e a todos os interessados na sobrevivência Branca".

É Fácil, é Barato...
Dada a natureza descentralizada e em grande parte não regulamentada da Internet, assiste-se à proliferação deste tipo de conteúdos por parte de grupos que tiram partido deste facto. De acordo com o detective Glen Klinkhart da Unidade de Crimes Informáticos do Departamento da Polícia de Anchorage, no Alaska, estes grupos usam a Internet para difundir as suas mensagens, recolher informações sobre os seus alvos, trocar informações entre si e para recrutar novos membros. Tudo de uma forma fácil, barata e eficaz.

Inflamar os Mais Susceptíveis
Mas o site que referi é apenas um exemplo onde se tenta fazer passar propaganda por informação, com fins mais ou menos obscuros. De facto, sites como estes estão facilmente acessíveis através dos principais motores de busca, onde podemos encontrar sites que proclamam o ódio contra tudo e mais alguma coisa. Na realidade, um dos aspectos, por ventura dos mais menosprezados, na segurança de crianças e jovens online, é o facto de na Internet se poderem encontrar uma imensidão de sites dedicados à promoção da intolerância, do ódio, da discriminação e da segregação de praticamente qualquer grupo que se possa imaginar. De facto, como afirma M.E. Kabay, Professor Associado de Segurança da Informação da Universidade de Norwich, na sua coluna CyberWatch, "raça, etnia, religião, sexo, orientação sexual, nacionalidade, ideologia política, etc. tudo serve para inflamar o ódio em personalidades mais susceptíveis. A facilidade de acesso a este tipo de conteúdos por parte de adolescentes para quem o sentimento de pertença a um grupo é um factor importante ao nível da auto-estima, torna-se assim uma fonte acrescida de preocupação para pais, escolas e comunidades.

Solução I: A Avaliação de Conteúdos
Uma solução, passa pela educação dos utilizadores, sobretudo os mais novos, desenvolvendo capacidades ao nível do pensamento crítico. Sobre este assunto, já aqui escrevi dois artigos ("Não Acredites em Tudo o Que Lês!" e "Ciber Factos ou Ciber Disparates?"). No entanto, mais recentemente tive acesso a uma ferramenta muito interessante que permite aos utilizadores avaliar um site enquanto o observa, respondendo a umas perguntas que lhe vão sendo colocadas e que o obrigam a reflectir sobre a credibilidade dos conteúdos com que estão confrontados.

Soluções II: O Diálogo
No seu artigo sobre este tema, o Professor M.E. Kabay sugere que o passo mais importante para proteger as crianças deste tipo de sites é discutir abertamente com as crianças o tema do discurso do ódio e da intolerância. Para isso poderá eventualmente recorrer a visitas a alguns sites deste tipo com os seus filhos, no sentido de lhes dar uma noção do problema. A discussão centrada nos sentimentos da criança ou do jovem relativamente à pertença e à não pertença a grupos, encorajando-os a falar abertamente e sem receio de reprimendas sobre os grupos de que gostam e de que não gosta. A explicação das questões das diferenças culturais, histórias ou outras que possam ajudar as crianças a ter uma perspectiva dos seus próprios sentimentos e comportamentos, é também aconselhada por este professor da Universidade de Norwich. Por fim, no que diz respeito aos grupos que promovem o ódio, M.E. Kabay considera também importante o fornecimento de modelos sociais positivos para as crianças, assim como um discurso firme contra a intolerância, por oposição a uma postura silenciosa perante manifestações de ódio e intolerância.

Solução III: O Software
Uma das opções passa pela adopção de uma solução tecnológica baseada em software de filtragem. A Anti-Defamation League, no Estados Unidos, desenvolveu o HateFilter, um software gratuito que actua bloqueando o acesso a sites de indivíduos ou grupos que, de acordo com esta organização, façam a apologia do ódio, intolerância ou até a violência para com judeus e outros grupos, na base da sua religião, raça, etnia, orientação sexual ou outras características imutáveis. Sobre este tipo de software, tenho uma opinião. Para a consubstanciar, recorro a uma citação da figura que motivou este artigo:


"As trevas não acabam com as trevas; apenas a luz o consegue fazer.
O ódio não acaba com o ódio; apenas o amor o consegue fazer.
"
Martin Luther King, Jr.

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in Info&Net, A Capital, Lisboa, 21 de Janeiro de 2005



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