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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2004 - NOVEMBRO
Valentões, Fanfarrões e Rufiões
Por Tito de Morais

Lendo os adjectivos do título deste artigo, dificilmente os pensamos aplicados a crianças. No entanto, é nelas que estou a pensar ao escrever este artigo. Estes adjectivos reflectem um fenómeno que pode ser já uma realidade em Portugal: refiro-me ao CyberBullying.

Basicamente o Cyberbullying consiste na utilização das novas tecnologias de informação e comunicação com o objectivo de maltratar, provocar, intimidar, oprimir, ameaçar, atormentar, importunar, molestar e amedrontar. De acordo com alguns especialistas, à medida que as crianças abraçam a Internet e outras tecnologias de informação e comunicação, móveis ou fixas, o Cyberbullying está a emergir como um dos maiores desafios enfrentados por pais e educadores.

Crianças Magoam Crianças
Num artigo impressionante sobre esta matéria, "Britanny", a Directora dos Teenangels - uma divisão da WiredSafety, organização que já referi nestas páginas - explica e dá exemplos sobre como as crianças estão a magoar outras crianças, usando as novas tecnologias de informação e comunicação como veículo.

Mensagens Ameaçadoras
Como diz, Bill Belsey, um dos especialistas na matéria, o email, o IM e o SMS nos telemóveis são hoje uma parte importante da vida social de muitos jovens. De facto, as relações que os jovens criam com outros jovens são alargadas e mantidas através do IM. "Algumas crianças estão a enviar mensagens ameaçadoras a outras crianças" ou fazem-se passar por outras crianças e jovens, adoptando nicknames semelhantes, para dizerem coisas desagradáveis culpando assim outras crianças, afirma "Britanny" no artigo acima referido. Desta forma, algumas crianças e jovens estão assim a descarregar os seus ódios e frustrações em inocentes e sem realizarem os efeitos potenciais negativos que tais acções podem ter noutras crianças e jovens. Por outro lado, alguns dos conflitos que surgem online muitas vezes dão origem a comportamentos que podem chegar a vias de facto na vida real e vice-versa.

Usurpação de Identidade
A usurpação de identidades, resultante da obtenção lícita ou ilícita de user names e passwords e da sua utilização para se fazerem passar por outras crianças ou jovens, é também um dos problemas referidos por "Britanny" no seu artigo. A coberto desta forma de anonimato, algumas crianças insultam outras e iniciam a difusão de rumores e boatos cruéis ou pura e simplesmente procedem a alterações dos perfis das vítimas, incluindo ofensas ou comentários sexistas ou racistas que, para além de ofensivos, podem atrair atenções não-desejadas.

Envio de Imagens
De acordo com o artigo de "Britanny", são conhecidos casos em que adolescentes enviam mensagens em massa para outros utilizadores, via email, IM, IRC ou telemóvel, mensagens essas que incluem fotografias de nus ou imagens degradantes de outros adolescentes. Por vezes, essas imagens tratam-se de meras montagens. Alguns jovens têm mesmo colocado essas imagens em newsgroups e até nas redes de serviços P2P como o Kazaa e outros. Uma vez iniciada a sua distribuição através da Internet, torna-se virtualmente impossível controlar a sua distribuição. Um exemplo, de uma situação destas foi por mim descrita no artigo "Que a Força Esteja Contigo, Star Wars Kid!", publicado nestas página em Agosto de 2003.

Blogs e Fotoblogs
Nem os blogs escapam a este tipo de utilização nefasta, não-ética e irresponsável. De facto, alguns jovens têm usado os blogs para difamar, prejudicar a reputação e invadir a privacidade de outras crianças. A este nível, "Britanny" relata o caso de uma rapaz que colocou no seu blog uma série de informação relativa ao fim do seu namoro com uma rapariga, explicando como ela lhe havia destruído a vida e chamando-lhe nomes degradantes. Estes comentários levaram outros jovens amigos que leram os comentários a "ajudar à festa", com "churrilhos" de críticas e insultos à rapariga. O recente advento dos foto blogs e a facilidade com que hoje em dia se fazem montagens fotográficas têm servido para potenciar este tipo de situações.

Websites
Hoje qualquer criança pode ter o seu website. Esta facilidade, tem também levado a que alguns jovens desenvolvam sites destinados a troçar, atormentar ou assediar outras crianças e jovens. Por outro lado, difundindo dados e imagens pessoais de outras crianças, na prática estes sites acabam por colocar em perigo outras crianças e jovens, aumentando as probabilidades de serem contactadas no mundo real por pessoas mal intencionadas.

Fóruns
A utilização de fóruns e livros de visitas, assume em alguns sites do tipo dos acima referidos, a versão virtual de algumas paredes de casa de banho que em tempos conheci em algumas escolas, onde sob o coberto do anonimato qualquer pessoa podia escrever o que quisesse, verdadeiro ou falso, criando ou acrescentado "bocas" ordinárias e mal intencionadas. Se em tempos idos, esses "graffiti's" ficavam acessíveis a uma pequena comunidade escolar, hoje estão expostos ao mundo.

Votações
A implementação de votações num site pode hoje ser feita de forma rápida, fácil e gratuita por qualquer jovem. Um dos fenómenos a que se assiste é a da criação de votações para "O Mais Feio", "O Mais Gordo", "O Mais Imbecil" da Escola Tantos de Tal. Isto para apenas referir as menos agressivas.

Um Caso em Portugal
E para que não se pense que isto só acontece na América, termino lembrando um caso passado em Portugal, há cerca de uma ano atrás, e que foi conhecido através da comunicação social. Trata-se do caso de uma jovem adolescente de 13 anos que alegadamente terá sido obrigada pelo namorado de 17 anos a tirar fotos dela própria nua. Essas fotos apareceram posteriormente a circular na Internet, tornando-se o tema de conversa dos alunos das escolas secundárias da localidade de residência da jovem. Acredito que outros casos existam, mas que acabam por não ser noticiados dado o interesse natural das famílias em não expor ainda mais as suas crianças. A julgar por algumas mensagens que tenho recebido recentemente de alguns pais e professores preocupados com situações que configuram casos de cyberbullying, acho que este é um fenómeno a que devemos prestar mais atenção. Mas, mais uma vez, o que me preocupa, é que tão pouco conhecemos a dimensão do fenómeno em Portugal. Alegremente, fazemos como os três macacos: não vimos, não ouvimos e não falamos!

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in Info&Net, A Capital, Lisboa, 26 de Novembro de 2004



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