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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2004 - SETEMBRO
Pais Ainda Subestimam Riscos Online - Parte 4
Por Tito de Morais

Continuando a análise do estudo UK Children Go Online, Surveying the experiences of young people and their parents, esta semana abordo das principais descobertas deste estudo ao nível da forma Como Pais e Filhos Vêem a Internet e ao nível da Regulamentação da Utilização da Internet em Casa.

Um dos aspectos importantes deste estudo é revelar o dilema que a Internet coloca aos pais. A generalidade dos pais inquiridos revelou pontos de vista ambivalentes quanto à Internet. Os pais preocupam-se com o facto da Internet poder levar ao isolamento dos seus filhos, expô-los a imagens de teor sexual ou violento, desviá-los de actividades mais produtivas e colocar a sua privacidade em risco. Por outro lado, quase dois terços dos pais inquiridos acredita que a Internet pode ajudar os filhos a alcançar melhores resultados escolares e a aprender conhecimentos valiosos. O dilema dos pais resume-se, assim, a saber como minimizar os riscos para maximizar os benefícios.

Como as Crianças Vêem a Internet
Surpreendente descoberta, pelo menos para mim, é o facto do estudo referir que, apesar do seu entusiasmo com a Internet, também as crianças, tal como os seus pais, serem sensíveis às ansiedades geradas pelas notícias vinculadas pelos meios de comunicação social relativamente aos riscos da Internet. Segundo as duas autoras do estudo, apesar da sensibilidade quanto aos riscos ser importante, a generalização da ansiedade também pode contribuir para restringir a utilização da Internet pelas crianças, sabotando a sua exploração, expressão e criatividade.

As Crianças Preocupam-se Com a Internet
Outra prova que as crianças também se preocupam com a Internet é o facto de cerca de dois terços das crianças inquiridas afirmarem terem conhecimento de alguma campanha sobre segurança na Internet ou terem ouvido ou lido alguma história nas notícias que as levou a pensar que a Internet pode ser perigosa. Assim, 48% dos utilizadores diários ou semanais preocupa-se com a possibilidade de "ser contactado por pessoas perigosas", 44% preocupa-se com a possibilidade de "apanhar um vírus" e 38% preocupa-se com a possibilidade de "outros descobrirem coisas sobre si".

Contradições Quanto à Filtragem
Uma descoberta reveladora do desencontro entre as afirmações de pais e filhos apontada por este estudo é o facto de nos lares inquiridos que dispõem de acesso Internet, 35% das crianças afirmar que os seus computadores têm software de filtragem instalados, enquanto que 46% dos pais diz o mesmo. Por outro lado, 23% dos pais afirma não saber se os seus computadores domésticos têm algum filtro instalado e apenas 15% dos pais que usaram a Internet afirma saber como instalar um filtro.

Regulamentação da Utilização da Internet em Casa
Ao tentarem regulamentar a utilização da Internet em casa, os pais enfrentam diversos desafios. Como vimos no primeiro artigo desta série, um desses desafios é a sua falta de experiência, sobretudo quando comparada com a experiência dos seus filhos. E este é um problema que não é exclusivo dos pais britânicos.

De uma forma geral, o estudo UK Children Go Online demonstra que as crianças têm uma maior percepção dos riscos nas experiências online do que os seus pais. Por outro lado, o estudo também demonstra que os pais têm uma percepção mais elevada do que os seus filhos sobre o nível de regulamentação da utilização da Internet em casa. De acordo com as autoras, tal sugere que os pais tendem a assumir que as regras não são necessárias, quando na realidade são e/ou que as regras estão a ser seguidas, quando na realidade não estão.

Contradições Quanto à Orientação Parental
De acordo com este estudo, a maioria dos pais cujos filhos têm acesso à Internet a partir de casa, afirma que partilham directamente e/ou apoiam os seus filhos na Internet. Isto apesar dos seus filhos estarem menos inclinados a afirmar que tal ocorre. De igual modo, os pais afirmam monitorizar directa ou indirectamente a utilização da Internet pelos seus filhos, enquanto estes estão menos conscientes deste facto. Todavia, 10% dos pais afirma não saber o que os seus filhos fazem online e 18% afirma não saber como ajudar os seus filhos a usar a Internet de uma forma segura. Como afirmam as autoras do estudo, estas informações sugerem claramente a necessidade de melhorar e alargar o alcance das iniciativas de sensibilização e literacia Internet.

Dificuldades na Implementação de Regras
Em casa, muitas vezes os computadores encontram-se nos quartos das crianças e raramente em zonas públicas da casa. Por outro lado, as crianças podem procurar proteger dos seus pais a privacidade das suas actividades online. De facto, segundo este estudo, 69% das crianças entre os 9 e os 17 anos que acedem à Internet pelo menos uma vez por semana afirma importar-se por os seus pais restringirem ou monitorizarem a sua utilização da Internet.

Crianças Protegem a Sua Privacidade Dos Pais
Segundo o estudo, as crianças podem até evitar as acções de monitorização dos seus pais. De facto, segundo dados do estudo, dois terços das crianças entre os 12 e os 19 anos que usam a Internet em casa tomaram medidas para proteger a sua privacidade online. Por exemplo, 38% apagou emails para que ninguém os pudesse ler, 38% minimizou um janela quando alguém entrou no quarto, 17% eliminou os ficheiros do histórico, 17% eliminou cookies indesejáveis, 12% escondeu ou deu nomes enganadores a ficheiros para os manter privados e 12% usou a palavra-chave de terceiros sem a sua permissão.

Por tudo isto, as autoras deste estudo consideram que as tentativas dos pais em estabelecer regras para a utilização da Internet em casa não são fáceis de implementar.

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in Info&Net, A Capital, Lisboa, 24 de Setembro de 2004



Artigos Anteriores:
> Pais Ainda Subestimam Riscos Online – Parte 3
> Pais Ainda Subestimam Riscos Online – Parte 2
> Pais Ainda Subestimam Riscos Online – Parte 1
> Ouvir as Experiências das Crianças
> Oito Respostas de Segurança Muito Simples - Parte II

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