ARTIGOS DE OPINIÃO - 2004 - SETEMBRO
Pais Ainda Subestimam Riscos Online - Parte 3
Por Tito de Morais
Nas duas últimas semanas referi aqui algumas das principais descobertas do estudo UK Children Go Online, Surveying the experiences of young people and their parents. Hoje prossigo essa análise referindo as descobertas ao nível da Comunicação e Participação e ao nível dos Riscos da Comunicação Online.
Segundo o estudo que tenho vindo a referir, em vez de verem a comunicação presencial como uma forma automaticamente superior de comunicação, os jovens avaliam os diferentes meios de comunicação disponíveis em função das suas diferentes necessidades ao nível da comunicação. E neste âmbito, o telemóvel esta rapidamente a ultrapassar o computador.
Telemóvel, Meio de Comunicação Preferido
De facto, segundo o estudo, para os jovens que usam a Internet uma vez por semana, o telemóvel é o método de comunicação preferido. Seja como passatempo, seja para fazer preparativos ou para a bisbilhotice, seja para obter conselhos ou namoriscar, o email e o Instant Messaging são preteridos em detrimento do telemóvel e do SMS.
Comunicação Online, Com Amigos Locais
Por outro lado, o estudo refere também que a maioria das comunicações online destes jovens é feita com amigos locais, sendo que o contacto com pessoas que as crianças não conhecem de contactos presenciais ocorre principalmente entre os 21% que visitam salas de conversação (chat rooms).
Vantagens da Comunicação Online
Ainda ao nível da Comunicação e Participação, o estudo refere que 33% dos utilizadores de email, Instant Messaging e serviços de chat pensam que falar com as pessoas na Internet é pelo menos tão satisfatório quanto fazê-lo presencialmente. Um quarto destes identifica mesmo vantagens significativas da comunicação online ao nível da privacidade, confiança e intimidade. A título de curiosidade, refira-se que 25% dos utilizadores entre os 12 e os 19 anos que usam a Internet pelo menos semanalmente, afirma fazê-lo para obter conselhos.
Comunicação Sobretudo Interactiva>
De assinalar é ainda o facto da comunicação online ser sobretudo interactiva. De facto, 44% completaram inquéritos, 25% enviaram uma mensagem para um website, 22% votaram em algo online, 17% enviaram imagens ou histórias para um website, igual número contribuiu com uma mensagem para um fórum de discussão, 9% ofereceu conselhos a outros, 8% preencheram um formulário e igual número assinou uma petição. Ainda numa demonstração de maior participação e actividade, 34% estabeleceram o seu próprio website.
Interesse em Temas Cívicos
Numa época em que o sistema escolar Português parece não saber o que fazer com a disciplina de Educação Cívica, 55% dos jovens britânicos - entre os 12 e os 19 anos de idade que usam a Internet pelo menos uma vez por semana - procuraram sites relacionados com assuntos políticos ou cívicos. Isto apesar de dois quintos não se revelar interessados, o que talvez justifique o facto de apenas uma pequena minoria ter respondido ou contribuído de alguma forma para estes sites.
Riscos da Comunicação Online
Como permanentemente aqui tenho alertado, a comunicação online nem sempre é uma experiência positiva para as crianças e para os jovens, pelo que os seus benefícios têm de se equilibrar e se possível, ultrapassar os problemas.
Crianças Trocam de Identidade
Quarenta por cento das crianças e jovens - entre os 9 e os 19 anos que usam a Internet pelo menos semanalmente - afirma que já se fez passar por outra pessoa online, usando para isso um nome diferente, alterando a sua idade ou aparência, etc. E apesar de conhecerem as regras, uma minoria admite esquecer-se das regras de segurança quando estão online.
Encontros Presenciais
Trinta por cento das crianças e jovens - entre os 9 e os 19 anos que usam a Internet pelo menos uma vez por semana - travaram conhecimentos online e 8% afirma mesmo que já se encontrou presencialmente com alguém que primeiro conheceram através da Internet. Todavia, a maioria destes jovens afirma que avisou alguém que iam a um encontro, levou um amigo com eles ou encontrou-se com alguém da sua idade. A maioria diz que se divertiu.
Crianças Divulgam Dados Pessoais
Apesar da maioria dos pais (86%) cuja crianças acedem à Internet a partir de casa não permitir aos seus filhos a divulgação de dados pessoais online, apenas 49% das crianças reconhece a existência esta regra. Pior ainda, 46% das crianças e jovens entre os 9 e os 19 anos de idade que acedem à Internet pelo menos uma vez por semana, afirmou que já haviam fornecido dados pessoais tais como os seus endereços de email, números de telefone, hobbies e o nome da escola que frequentam a alguém que apenas conheceram online. Contrastando com estes dados, apenas 5% dos pais acha que os seus filhos forneceram este tipo de informação.
Pais Subestimam Experiências Negativas
Por fim, um terço das crianças e jovens - entre os 9 e os 19 anos que usam a Internet pelo menos uma vez por semana - afirma já ter recebido propostas sexuais não desejadas ou comentários desagradáveis por email, chat, Instant Messaging ou SMS. Por outro lado, como já aqui referi, os pais subestimam largamente as experiências negativas online dos seus filhos, parecendo assim não estarem cientes da necessidade potencial de orientação dos seus filhos. De facto, apenas 7% dos pais pensa que os seus filhos já foram alvo de comentários de cariz sexual e apenas 4% pensa que os seus filhos já foram assediados online.
 in Info&Net, A Capital, Lisboa, 17 de Setembro de 2004
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