Logotipo MiudosSegurosNa.Net

Bandeira de AngolaBandeira do BrasilBandeira de Cabo VerdeBandeira da Guiné-Bissau
Bandeira de MoçambiqueBandeira de PortugalBandeira de São Tomé e PrincípeBandeira de Timor Leste
Subscreva a Newsletter
[MiudosSegurosNa.Net]

> Definir Homepage
> Adicionar a Favoritos
> Imprimir Esta Página
> Recomendar Página
> Ligue-se a Nós!
> Artigos Para o Seu Site
> Donativos

ARTIGOS DE OPINIÃO - 2004 - JULHO
" Deixem a Porta Aberta!" e Outros Alertas
Por Tito de Morais

Um estudo da London School of Economics and Political Science revela grandes discrepâncias entre a realidade e ideia que os pais têm do uso que os seus filhos fazem da Internet. É que muitos dos miúdos não contam aos seus pais as experiências negativas, com receio de que estes lhes restrinjam o acesso.

Há dias vivi um episódio familiar que me parece relevante partilhar convosco, pois encerra algumas lições que acho todos teremos a ganhar com a partilha. O meu filho mais novo, brevemente faz oito anos, passou a tarde em casa na companhia de um amigo mais velho, com dez anos de idade, e com a irmã deste, uma miúda com sensivelmente a mesma idade do meu filho. Sob a supervisão da minha mulher, durante a tarde, brincaram, viram televisão, jogaram Playstation e navegaram na Internet.

Quando cheguei a casa, fui ter com os miúdos para saber como tinham passado a tarde. Foi então que o meu filho se apressou a querer mostrar-me um site que tinham visto. Apressado, respondi "agora não posso porque vou ter de sair já de seguida". Perante a insistência, lá acedi. Foi então que ele me começou a explicar que o amigo mais velho tinha introduzido um endereço e o que tinha acontecido de seguida. Apercebi-me pela descrição que tinham ido parar a um site não recomendável para a idade deles. O amigo apressou-se a explicar-me que tinha escrito mal o endereço que desejava e que em consequência disso tinham ido parar a tal site. O curioso foi que para me mostrar o referido endereço, o meu filho foi ao histórico do browser. Quando vi o endereço, disse-lhe que não precisava de me mostrar mais, evitando assim que a página fosse carregada. Verifiquei e apercebi-me que não tinham visitado mais nenhuma página do site, para além da homepage. Expliquei-lhes que tinham procedido da maneira correcta, não continuarem a ver o site quando se aperceberam que se tinham enganado e que o site não era indicado para eles. Felicitei o meu filho pelo facto de me ter vindo contar a história, pois são essas as instruções que tem, e salientei que essas coisas acontecem e que tinham acontecido com o amigo, mas que também lhe podiam acontecer a ele.

Vem esta história a propósito de um estudo recentemente divulgado, "UK Children Go Online: Emerging Opportunities and Dangers", da responsabilidade de duas investigadoras da London School of Economics and Political Science (LSE), e sobre o qual um artigo da BBC refere que "muitos dos miúdos entre os 9 e os 19 anos não contam aos seus pais as experiências negativas, com receio de que estes reajam exageradamente, restringindo-lhes severamente o acesso à Internet". Por esta razão, este estudo revela grandes discrepâncias entre a realidade e ideia que os pais têm do uso que os seus filhos fazem da Internet. Sobre este estudo debruçar-me-ei no futuro, mas por agora, voltemos à história que contava, para podermos tirar as lições necessárias.

Este episódio fez-me reflectir. Se por um lado, fiquei satisfeito por o meu filho se ter sentido à vontade para me contar o episódio, por outro fez-me pensar e desejar que o mesmo acontecesse que o episódio se tivesse verificado com ele. A outra situação que me fez reflectir, foi o facto de ter sérias dúvidas que tivesse havido algum erro na introdução do endereço. Aquele era o endereço pretendido. Por outro lado, o que também me fez reflectir foi o facto de outras crianças que não o meu filho, tinham sido expostas - ainda que brevemente - a conteúdos indesejáveis, em minha casa, quando estava sob a minha responsabilidade.

Eis algumas das conclusões/recomendações a que cheguei, resultado de uma pequena reflexão, e que me parece útil partilhar convosco, antes que algo semelhante vos aconteça, com consequências eventualmente mais desagradáveis:

  • Mantenha a porta aberta, isto é, faça com que os seus filhos se sintam à vontade em lhe dizer que viram algo que não era suposto verem ou que ouviram ou lhes disseram algo que os incomoda.
  • Ouça o que os seus filhos lhe querem contar sobre as suas experiências com a Internet. E ouça-os logo. Não deixe para mais tarde, nem se "socorra" de expressões como "agora não", "mais tarde", "não tenho tempo", etc.
  • As regras do acesso à Internet em casa, são válidas não só para os residentes, como para as visitas.
  • Antes de acerem à Internet, as crianças-visita, têm de conhecer as regras.
  • Em minha casa não utilizo mecanismos de filtragem. Os meus filhos sabem o que podem e não podem ver. E sabem como proceder caso os conteúdos indesejáveis "venham ter com eles", como no caso de endereços mal escritos. No entanto, outros pais podem ter outras ideias sobre o assunto, pelo que não recomendo que se dê acesso à Internet a crianças-visita, sem o conhecimento e consentimento prévio dos pais. Informe os pais das crianças-visita sobre as regras para o acesso à Internet em sua casa.

Estas recomendações foram o resultado de uma pequena reflexão que me pareceu útil partilhar convosco, antes que algo semelhante vos aconteça, com consequências eventualmente mais desagradáveis.

Logotipo do jornal A Capital
in Info&Net, A Capital, Lisboa, 30 de Julho de 2004



Artigos Anteriores:
> Ciber Factos ou Ciber Disparates?
> Os Super Heróis da Segurança na Internet
> Estratégias de Segurança na Internet - Parte II
> Estratégias de Segurança na Internet - Parte I
> Segurança Internet: Pregar aos Canibais?

Rotulado com ICRA - Internet Content Rationg Association
| Início | Recursos | Sobre | Mapa do Site |
                                                 © 2003-2007, Tito de Morais. Todos os Direitos Reservados.