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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2004 - ABRIL
Como Proteger os Filhos na Internet
Por Tito de Morais
Um estudo desenvolvido pela Comissão Europeia (documento no formato PDF - 188 Kb), demonstra as diferenças de atitudes dos pais dos diversos países da União Europeia relativamente à Segurança na Internet e evidencia a necessidade dos pais portugueses em receberem informação sobre como proteger os seus filhos de conteúdos/contactos ilegais ou lesivos na Internet.
A nível europeu, 50% dos pais entrevistados afirmam que os seus filhos menores de 18 anos usam a Internet. No entanto, Portugal e a Grécia apresentam os valores mais baixos relativos à utilização da Internet por crianças e jovens. Em Portugal, apenas 31% dos pais afirmam que os seus filhos usam a Internet. Pior que Portugal só mesmo a Grécia, com 15%.
Onde as Crianças Usam a Internet?
Quando questionados sobre o local os seus filhos usam a Internet, 34% dos pais europeus referiram ser em casa, 31% referiu ser na escola e um número mais reduzido, 14%, referiu ser em casa de um amigo. No entanto, enquanto 56% e 55% dos pais suecos e dinamarqueses referem que a casa é o local a partir do qual os filhos acedem à Internet, apenas 7% dos pais gregos e 10% dos pais portugueses referem a casa como o local de acesso.
Pais Portugueses Não Estabelecem Regras
De acordo com os estudo, os pais suecos e os finlandeses (41%) são os mais propensos a imporem regras para os seus filhos acederem à Internet, seguidos pelos britânicos e pelos holandeses, 38% e 35%, respectivamente. Por oposição, os portugueses e os gregos são os menos propensos a definirem regras para os seus filhos acederem à Internet, seja em casa ou noutro local.
Que Regras Para o Acesso à Internet?
Dos pais que impõem regras de utilização da Internet aos seus filhos, 60% não lhes permite aceder a alguns sites (57% em Portugal). A segunda regra mais mencionada respeita à imposição de limites de tempo de utilização da Internet (52%, contra 40% em Portugal) e a terceira consiste na proibição do fornecimento de quaisquer informações pessoais (49%).
Pais Portugueses Precisam de Mais Informação
Questionados sobre se precisam de mais informação sobre como proteger os filhos de conteúdos/contactos ilegais ou lesivos na Internet, 60% dos pais portugueses cujos filhos usam a Internet, referiram ter necessidade desse tipo de informação e apenas 27% responderam não terem necessidade dessa informação. Esta necessidade apenas é maior na Grécia (92%), sendo que a média comunitária se situa nos 48%.
Pais Portugueses Querem Informação Via TV
A televisão é o meio preferido (44%) pelos pais para receberem informação sobre como proteger os filhos de conteúdos/contactos ilegais ou lesivos na Internet. Todavia, os gregos, os portugueses e os italianos - 67%, 57% e 54%, respectivamente - revelam uma maior apetência que a média para receberem esta informação através da televisão.
O Que os Miúdos Devem Fazer?
A maioria dos pais dos países do Norte da Europa - 55% no Reino Unido, 54% nos Países Baixos, 51% na Finlândia, 47% na Dinamarca e 41% na Alemanha - afirmou que os seus filhos sabem o que fazer caso sejam confrontados na Internet com situações que os incomodem. Por oposição, a maioria dos pais na Grécia (60%), em Portugal (55%), em Itália (49%), em França (46%) e na Bélgica (46%), afirma que os seus filhos não saberão o que fazer se confrontados com este tipo de situações. Mais grave, na Irlanda, em Espanha, na Áustria e em Portugal, mais de 30% dos pais tão pouco sabia responder à pergunta.
Onde e a Quem Denunciar Conteúdos/Contactos Ilegais e Nocivos?
Mais de um terço (38%) dos pais da União Europeia não sabe onde ou a quem denunciar conteúdos ilegais ou nocivos que se encontrem na Internet e 19% é incapaz de fornecer uma resposta, revelando assim uma falta de informação generalizada sobre este assunto a nível europeu. Estes números são mesmo alarmantes para países como Portugal (67%), Grécia (56%) e Bélgica (55%).
No que diz respeito a Portugal, este curto resumo das 40 páginas do relatório, revelam a necessidade urgente e imperiosa que os pais portugueses têm de informação que os ajude a proteger os seus filhos de conteúdos/contactos ilegais ou lesivos na Internet. A este nível, o papel do movimento associativo de pais, através da Confederação Nacional das Associações de Pais, das suas Federações Regionais e Concelhias, das Associações de Pais e Encarregados de Educação de todas as escolas do país, em reunião de esforços com as Escolas e com as Comunidades em que estas se inserem têm um papel importante e inestimável a desenvolver. Resta-lhes assumirem esse papel. A bem do presente e do futuro dos nossos filhos e educandos.
 in Info&Net, A Capital, Lisboa, 02 de Abril de 2004
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