![]() |
|
Por Tito de Morais Em tempos, anúncios televisivos pouco éticos prometendo prémios dos mais variados a quem ligasse para um dado número telefónico de valor acrescentado foram usados como meio para defraudar os consumidores. Os tempos evoluem, e hoje assiste-se a situação semelhante com os telemóveis e com as mensagens SMS. Há umas semanas atrás, contaram-me uma história em que o amigo de um amigo ficou sem saldo no telemóvel por ter respondido a uma mensagem SMS. Aquele tipo de mensagens conhecidas por SMS (Short Messaging System). Normalmente encaro estas histórias que acontecem sempre a um "amigo de um amigo" com um certo grau de cepticismo. No entanto, no fim de semana passado, o assunto voltou a chamar-me à atenção. Enquanto trabalhava tinha a televisão da sala sintonizada na Sky News. Volta e meia, quando ouvia algo interessante olhava para o écran. A certa altura tive mesmo de interromper o que estava a fazer para prestar atenção a uma notícia que depois foi sendo repetida ao longo do dia e que se relacionava com fraudes praticadas através de mensagens de texto em telemóveis. A peça desenvolvida pela Sky News incluía uma entrevista com um utilizador de telemóvel que havia recebido uma mensagem informando-o que tinha acabado de ganhar um prémio no valor de £5.000 libras esterlinas e que para reclamar o seu prémio deveria responder à mensagem. Depois de o fazer, o utilizador do telemóvel não só não ganhou prémio nenhum, como foi presenteado com uma conta de £25 libras! De acordo com a reportagem da Sky News, as mensagens de texto não solicitadas de carácter comercial assumem já uma dimensão considerável no Reino Unido, servindo simultaneamente como uma grande fonte de rendimentos para aqueles que se dedicam à fraude através dos telemóveis. Ainda de acordo com a peça desta estação televisiva, o ano passado, no Reino Unido, foram apresentadas 7.000 queixas relacionadas com esta forma de spam. O número de mensagens de spam duplicou relativamente a 2002, atingindo cerca de dois biliões (!) por ano e cerca de 70 empresas foram já multadas pelo organismo regulador do sector por práticas consideradas não escrupulosas. Outro esquema utilizado neste tipo de fraudes referenciado pela Sky News dá pelo nome pomposo de "missed call marketing" (marketing de chamadas não atendidas). Neste tipo de fraude, o utilizador do telemóvel responde a uma chamada de um número desconhecido e sem disso se aperceber é encaminhado para um número de valor acrescentado que pode chegar a cobrar £1.50 por minuto! Mas como é que aqueles que praticam este tipo de fraudes conseguem arranjar os números de telefone, perguntarão. Segundo a Sky News, de diversas formas, geralmente legais. Ora adquirindo-os a empresas que constróiem e comercializam este tipo de listas, ora usando software, especialmente programado para gerar centenas de milhares de números aleatoriamente, ora socorrendo-se de esquemas mais engenhosos que passam por usar "iscos" que levem os utilizadores a fornecer os seus próprios números de telemóvel e os daqueles que conhecem. Quando leio este tipo de notícias e quando vejo reportagens na televisão, e neste caso da portuguesa, onde se mostram pedófilos a usar os telemóveis para estabelecerem e manterem contactos com crianças e jovens, penso que temos de encarar o telemóvel com mais atenção do que aquela que provavelmente encaramos. No meu ponto de vista, é importante começarmos a pensar em transmitir de forma mais activa alguns conselhos bem simples aos mais novos - e até a nós próprios - no sentido de os salvaguardar contra este tipo de logros. Perante estas histórias, olho para trás uns anos, não muitos, e lembro-me da febre dos números telefónicos de valor acrescentado e dos anúncios que então inundavam a televisão com concursos para isto e aquilo, geralmente direccionados a crianças, e que prometiam prémios dos mais variados, e ambicionados por qualquer criança, como sejam consolas de jogos, viagens à Disneylândia, etc. Lembro-me, então, da pressão que o meu filho, hoje com 13 anos, me fazia para ligar, perspectivando ganhar o ambicionado prémio e lembro-me do trabalho que tive para lhe explicar que, pelo facto de o anúncio dizer "liga e ganha", tal não significava que ele automaticamente fosse premiado. Lembro-me que foi a força das reclamações que forçou os operadores de telecomunicações a oferecerem serviços de barramento de chamadas. Lembro-me que foi a pressão dos consumidores que obrigou à imposição de algumas regras no sector. Lembro-me que aquilo que na prática era uma mina de ouro para quem se dedicava a este negócio de uma forma não ética, sem escrúpulos e sem olhar a meios para atingir os fins, "secou" como fonte de negócios. No Reino Unido, os consumidores já começaram a dar a sua resposta desenvolvendo um site que ajuda as vítimas deste tipo de fraudes a apresentarem as suas queixas.
|
| | Início | Recursos | Sobre | Mapa do Site | | ||||