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Por Tito de Morais
No artigo anterior contrastei a apatia que se verifica em Portugal relativamente à problemática da segurança das crianças e dos jovens online com a dinâmica do Dia Europeu Por Uma Internet Mais Segura que no próximo dia 6 de Fevereiro de 2004 será celebrado em dez países da União Europeia (Dinamarca, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Espanha, Suécia, Reino Unido), e ainda, Islândia, Noruega e Austrália. Portugal pontua pela não adesão a esta iniciativa. Eventualmente por, segundo alguns órgãos de comunicação social, para a mesma altura ter estado prevista a comemoração de uma Semana da Banda Larga. Todavia, parece-me que, com a retirada do IOL e do Clix deste mercado, acabaremos por comemorar nem uma coisa nem outra! Polémicas à parte, em próximos artigos irei abordar o que outros países, que não Portugal, têm estado a fazer no sentido de promover a sensibilização e a educação para uma utilização segura e responsável das novas tecnologias de informação e comunicação por parte de crianças e jovens. Começarei pelo Canadá. Uma campanha está actualmente a decorrer no Canadá, no sentido de sensibilizar os pais e as crianças canadianas a protegerem-se enquanto navegam na Internet. Criada por uma aliança de empresas e organizações não governamentais, a campanha envolve empresas de telecomunicações, a Associação Canadiana de Operadores de Serviços Internet, a Associação Canadiana de Bibliotecários, cadeias e produtoras de televisão, operadores de cabo, empresas de software e muitas outras organizações. Este tipo de envolvimento, reforça o que já aqui afirmei. A segurança de crianças e jovens online implica uma abordagem em diversas frentes. Mas o que motiva todo este envolvimento? De acordo com a Media Awareness Network, os miúdos canadianos encontram-se entre os utilizadores Internet mais activos, sendo que cerca de 80% dispõe de acesso a partir de casa. Mais de metade das crianças navega na Internet com pouca ou nenhuma supervisão e cerca de 25% já foi solicitada para encontros no mundo real com pessoas que conheceram através da Internet. Destes, 15% foram a esses encontros e quase dois em cada dez fizeram-no sem qualquer tipo de acompanhamento. Por outro lado, pesquisas efectuadas referem que cerca de 71% das crianças têm as suas próprias contas de correio electrónico e que 81% têm contas de correio electrónico gratuitas e baseadas na web, como por exemplo, no Hotmail. Destas, ao nível do fornecimento de dados pessoais, verifica-se que 86% indicaram o seu sexo, 68% forneceram os seus nomes verdadeiros, 29% as suas moradas e 20% os seus números de telefone. Perante este quadro, a campanha inclui anúncios de televisão, rádio, imprensa e outdoor, concebidos gratuitamente por agências de publicidade, e encaminham os pais para o website da campanha. Os anúncios de televisão e rádio, em inglês e em francês, serão vinculados até Abril, enquanto os anúncios de imprensa sê-lo-ão até ao fim de Março. No website da campanha é fornecida informação e ferramentas para auxiliar os pais a explicar aos filhos os riscos potenciais associados à Internet. Entre outras recomendações aconselham-se os pais a ensinarem as crianças a valorizarem e manterem os seus dados pessoais privados aquando da subscrição de contas de correio electrónico, da utilização de salas de chat e serviços de Instant Messaging. Outra das recomendações é a dos pais conhecerem os sites que os filhos visitam e a saberem com quem os filhos falam através da Internet. Tal implica os pais conhecerem as pessoas que figuram nas listas de contactos e endereços dos filhos e encorajarem estes a eliminarem aqueles que não conhecem e com quem nunca se encontraram. Resumindo, é importante que os pais conheçam e compreendam os hábitos de utilização dos seus filhos e que se informem e actualizem relativamente a assuntos mais complexos e que actualmente não dominam. Como esta campanha demonstra, para motivar o envolvimento dos pais, é essencial o envolvimento da comunidade.
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