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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2003 - NOVEMBRO
Contrato Familiar Sobre a Utilização da Internet
Por Tito de Morais

Um amigo meu é tio de uma rapariga e de um rapaz de 14 e 10 anos. O pai das crianças tenciona oferecer-lhes uma ligação à Internet de banda larga pelo Natal. Em conversa com o irmão, este revelou-lhe algumas preocupações. A troca de emails com esse meu amigo sobre este assunto motivou-me a escrever estas linhas.

Estamos em Dezembro e vem aí o Natal. Não é assim de admirar que as famílias, entre muitas outras coisas, contemplem a compra de computadores e respectivos periféricos, consolas de jogos, telemóveis, serviços e equipamentos para ligação à Internet, etc. Com essas ideias vêm também algumas preocupações, dúvidas e perguntas. Como garantir que estas compras não vão influenciar negativamente os miúdos? Como garantir que estas compras não se irão traduzir numa excessiva utilização em detrimento do tempo de estudo? Como garantir que os miúdos não se metem por caminhos menos aconselháveis e não se metem em sarilhos.

Às famílias que se revejam nestas preocupações, sugiro que comecem por partilhar essas preocupações com as crianças. Só dialogando sobre o assunto com os miúdos de uma forma aberta (evite os monólogos!), é que estes poderão de alguma forma começar a perceber a razão de ser das preocupações dos pais. Falem-lhes sobre os riscos, perigos e ameaças que a Internet pode colocar aos utilizadores em geral e aos mais novos em particular. Neste âmbito, falem-lhes da importância do estabelecimento e cumprimentos de determinadas regras de utilização, visando dois objectivos: garantir a segurança dos miúdos, atenuar as preocupações dos pais e garantir que os miúdos tiram o máximo partido dos recursos que irão ser colocados à sua disposição.

Comece por definir a localização do computador. Evite colocar o computador no quarto dos miúdos. Prefira um local onde outros membros da família estejam presentes, tal como a sala ou um escritório de utilização comum. Evite colocar o computador com o monitor de costas para a parede. Desta forma, facilitará a sua supervisão das actividades dos miúdos online. Lembre-se também de definir se os miúdos podem usar o computador e a ligação à Internet apenas na presença de um adulto ou sozinhos. De uma forma ou de outra, defina também algum tempo para partilhar com as crianças a utilização da Internet em conjunto e incentive-os a partilhar as suas experiências online consigo.

Acorde com os miúdos quando podem usar o computador e a ligação à Internet. Defina prioridades. Por exemplo, só podem usar o computador para entretenimento depois de fazerem os trabalhos de casa. Defina também o tempo que eles podem despender online, conforme considerar mais adequado: número de horas por dia, horas do dia, dias por semana, etc.

Aproveite também falar com os miúdos sobre a existência de websites com conteúdos inadequados e lembre-se que os sites inadequados não são apenas aqueles de carácter pornográfico. À luz desta informação, defina a que tipo de websites podem e não podem aceder. Diga aos miúdos para lhes dizerem sempre que vêem alguma coisa online que os deixe desconfortáveis. Diga-lhes também que, sempre que tiverem dúvidas sobre se podem ou não ver determinado website, devem falar consigo ou com um outro adulto, sem qualquer tipo de receios.

Sensibilize-os para os perigos da divulgação através da Internet de dados pessoais e outros que lhes sejam relacionados. Explique-lhes porquê. Seja explícito relativamente ao tipo de dados pessoais. Explique-lhes que eles não podem divulgar esse tipo de dados sem a sua autorização prévia.

Defina com os miúdos quais os serviços Internet e quais as aplicações a que podem ter acesso, aquelas cujo acesso lhes é vedado, ou permitido, mas sob supervisão de um adulto. Nesta discussão, inclua referências a salas de chat, programas de IRC, Instant Messaging, programas de partilha de ficheiros, etc. Acorde com eles se podem ou não abrir uma conta de correio electrónico e porquê.

Fale com os seus filhos sobre os perigos que os encontros no mundo real com pessoas que se conhecem apenas da Internet. Explique-lhes que na Internet, as pessoas podem não ser quem dizem ser. Certifique-se que as crianças percebem que esse tipo de encontros só serão permitidos na sua presença ou de um outro adulto da família.

Por fim, tenha sempre presente a preocupação desta conversa não se transformar num monólogo em que os seus pontos de vista são impostos como regras. Para o ajudar nesta tarefa, proponho-lhe um exercício. Comece por perguntar a opinião aos miúdos sobre os assuntos aqui abordados. Para cada assunto, peça-lhes para analisarem a questão em função dos seus aspectos Positivos e Negativos. Sobre cada um destes assuntos peça-lhes também para eles verem o que cada um deles tem de interessante. Deixe-os pensar por eles. Após esta análise pergunte-lhes então a que conclusão chegaram. Faça também este exercício por si próprio. A terminar, transponha as conclusões desta discussão para um acordo. Neste acordo, inclua as regras de utilização, os direitos e as obrigações de cada um. Dos miúdos e dos seus. Para se comprometerem ao cumprimento das regras agora definidas assine o documento e peça aos miúdos para fazerem o mesmo. A terminar, cada um deverá ficar com uma cópia.

Se seguir estas indicações, ficará com um documento à luz do qual poderão, em conjunto, analisar o cumprimento do mesmo. Faça deste documento algo dinâmico. Sempre que um membro da família sentir necessidade de alterar ou adicionar alguma coisa, discutam-na no âmbito da família.

in Info&Net, A Capital, Lisboa, 28 de Novembro de 2003



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