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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2003 - NOVEMBRO
"Agarrados" ao écran?
Por Tito de Morais

Os computadores, os jogos e outras actividades online, como o chat, a procura compulsiva de informação, verificar a caixa de correio N vezes por dia, etc., são um vício? A opinião não é unânime entre a comunidade científica, os jogadores e os seus familiares. Mas vale a pena reflectir sobre este assunto.

Em inícios de Agosto, num texto intitulado "As crianças, os jovens, os pais e os novos média", já aqui aflorei a questão do tempo que as crianças passam frente ao écran. Esta semana, uma notícia vinculada pela agência Reuters leva-me a retomar o assunto.

Os Jogos: Um Vício?
De acordo com a notícia vinculada pela agência noticiosa, segundo alguns cientistas, os "fanáticos" dos jogos de computadores não devem ser classificados como viciados. Isto apesar de muitos afirmarem-se "agarrados" a um divertimento que está a afectar as suas vidas sociais e dizerem que o seu divertimento está na origem de conflitos familiares e falhanços românticos. A afirmação, foi produzida durante a primeira conferência mundial inter-disciplinar sobre jogos realizada em Utrecht, nos Países Baixos, perante uma plateia de psicólogos, sociólogos e outros técnicos. Ainda de acordo com a mesma fonte, os cientistas afirmaram existirem algumas provas de que os jogos estimulam as mesmas áreas do cérebro que o álcool e outras drogas.

Os Jogos: Tão Viciantes Quanto a Escola ou o Trabalho
Stephen Kline, um professor de psicologia social e analista de média na Simon Fraser University, no Canadá, afirma mesmo que 15% dos utilizadores de um popular jogo online se afirma "viciado", mas que 30% pode ser categorizado como tal. No entanto, afirma que esse jogo é tão viciante quanto a escola ou o trabalho, na medida em que o tempo investido nessas actividades também as pode tornar viciantes. Esta afirmação parece-me excelente. De facto, a Internet, os jogos online, e a televisão não são, por si, um vício, tal como o trabalho, os estudos, o jogo, o álcool e outras actividades ou substâncias também não o são. O tempo que se lhes dedica, o facto de se deixar que essas actividades controlem ou não a vida quotidiana é que as podem transformar num vício. Como tudo na vida que não é feito como moderação, pode "disparar pela culatra".

Comunidade Científica Não é Unânime
O suicídio e assassinato de alguns adolescentes em diversos países, alegadamente após jogos violentos online levou a que alguns países pressionassem a indústria a acrescentar alertas às embalagens dos jogos. No entanto, a comunidade científica não é unânime relativamente à possibilidade de algumas experiências violentas nos jogos poderem transferir-se para a vida real. Enquanto uns encaram essa como uma possibilidade real, outros que conduziram mesmo alguns estudos científicos, afirmam mesmo que os jogadores intensivos são na realidade sociáveis, chegando mesmo a constituir mesmo clans que por vezes se encontram na vida real, não correspondendo por isso ao estereótipo do solitário com problemas patológicos que por vezes se procura retratar.

De Facto, Não há Unanimidade!
Esta mesma falta de unanimidade também se verifica entre jogadores e os seus familiares. Se os jogadores insistem que o seu jogo favorito é uma actividade inofensiva, já os seus familiares consideram estes passatempos algo compulsivos, levantando a questão sobre se os jogos são ou não viciantes. Apesar desta falta de unanimidade, nas famílias e na comunidade científica, um coisa é certa: a oferta de especialistas e publicações anunciando tratamentos para este tipo de "distúrbios" é grande. A oferta de grupos de apoio, do tipo alcoólicos anónimos é também uma realidade, levando a crer que este problema é como o problema das bruxas: "Que las hay, hay!"

Um Alerta
Quando é sabido que as crianças começa cada vez mais cedo a estar expostas às actividades online, é importante as famílias terem este aspecto presente. Sobre este aspecto, a interactividade possibilitada pelas actividades online, torna-as radicalmente diferentes de actos como ver televisão ou ler uma banda desenhada. E para evitar problemas há que tomar algumas precauções. É que, contrariamente ao que acontece com algumas substâncias viciantes, não existe um medicamento para lidar com os comportamentos compulsivos gerados pelos jogos e por outro tipo de actividades online.

Como Diagnosticar?
Talvez por isso valha a pena vermos o que têm a dizer alguns peritos na matéria. Segundo Maressa Hecht Orzack, directora do Computer Addiction Studies Center, os sintomas do vício em computadores podem dividir-se em sintomas psicológicos e sintomas físicos. Ao nível psicológico, esta especialista refere:

  1. Sensação de bem estar ou euforia ao computador
  2. Incapacidade para parar a actividade
  3. Dispender cada vez mais tempo ao computador
  4. Negligenciar a família e os amigos
  5. Sentir-se vazio, deprimido ou irritável quando não se está ao computador
  6. Mentir a empregadores ou à família relativamente às suas actividades
  7. Problemas com o emprego ou com a escola
Ao nível físico, esta especialista refere os seguintes sintomas:
  1. Síndroma do túnel carpal
  2. Olhos secos
  3. Dores de cabeça do tipo enxaqueca
  4. Dores nas costas
  5. Irregularidade na alimentação, tal como saltar refeições
  6. Dificuldade em manter a higiene pessoal
  7. Distúrbios do sono e mudanças no padrão de sono
Ao nível da prevenção, sobretudo quando falamos de crianças, a generalidade dos especialistas aponta a introdução de limites de tempo ao nível da utilização como a melhor forma de prevenir que a utilização dos novos média se transforme num acto compulsivo.

in Info&Net, A Capital, Lisboa, 07 de Novembro de 2003



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