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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2003 - AGOSTO
"Kids, Don’t Try This at Home!"
Por Tito de Morais

"Kids, Don’t Try This at Home" é uma frase que já nos habituamos a ver ou ouvir em programas de televisão americanos. Se os americanos, por vezes, até nos parecem exagerados, em Portugal, a generalidade dos produtores de conteúdos não têm consciência das suas responsabilidades ao nível da segurança infantil.

Ao longo das últimas semanas temos assistido atordoados à devastação produzida pelos já infelizmente cíclicos fogos de verão. Na sequência deste desastre, em termos humanos e ecológicos, surgiram diversas campanhas. Campanhas de solidariedade social, por um lado, e campanhas de sensibilização para a protecção da natureza por outro. Uma destas campanhas, promovida por uma associação ambientalista, socorre-se de um anúncio de televisão particularmente eficaz. No entanto, tal anúncio revela-se de uma enorme imprudência. No decorrer do anúncio, para sublinhar a sua mensagem, materializando-a em termos visuais, mostra-se uma pessoa a enfiar um saco de plástico na cabeça.

Julgo que qualquer pai ou mãe se recorda de recomendar aos seus filhos que não se deve brincar com sacos de plástico e muito menos enfiá-los na cabeça, pelos riscos que tal acto pode acarretar. Ao ver o anúncio, o meu filho de 6 anos exclamou: "Ò Pai, a senhora não morreu!" Tive então de lhe explicar que se tratava de um anúncio e que a realidade é diferente. O que me preocupa é que, não estivesse eu presente e a percepção que o miúdo teria do anúncio seria diferente.

Há tempos atrás, o meu filho de 6 anos - que começa agora a fazer as suas primeiras navegações na web – pediu-me para visitar um URL que aparecia estampado num dos seus livros escolares. Assim fiz, "dei umas voltas com ele" e depois, dada a natureza pedagógica do site, deixe-o a navegar no site por ele próprio. Passado um bocado, solicitou-me para o ajudar a fazer uma experiência química que envolvia ferver água no fogão! A outro nível, este exemplo em muito se assemelha ao que refiro acima, no meu ponto de vista com uma agravante: a criança é levada por um URL num dos seus livros escolares para um tipo de conteúdos não adequados à sua idade, pelos riscos que a realização de tal experiência pode acarretar para uma criança de 6 anos. No entanto, o website não exibe qualquer nota ou aviso, alertando a criança para a necessidade de solicitarem o apoio dos pais, educadores ou de adultos para a realização de tal experiência.

Mas a história não acabou aqui. Ajudei-o a fazer a experiência aproveitando o facto para lhe explicar que não devemos fazer tudo que vemos na Internet e que ele deve sempre pedir ajuda à mãe ou ao pai quando quiser fazer qualquer coisa que veja na Internet. O irmão de 12 anos chegou entretanto a casa e assistiu à experiência (por acaso relacionada com a matéria que estava a dar em Ciências da Natureza ou Física e Química, já não estou certo), ficou entusiasmado e foi visitar o sítio mais detalhadamente. No dia seguinte chegou a casa com uma embalagem com um ingrediente necessário para fazer uma das experiências que tinha visto no site. Fui ver o que a embalagem continha e qual o meu espanto quando realizo que era soda cáustica! Tinha ido à drogaria porque não tínhamos o ingrediente necessário em casa e como a drogaria não tinha o que ele queria, venderam-lhe uma embalagem de soda cáustica!

O funcionário que vende a soda cáustica a um miúdo de 12 anos, não o faz com más intenções, mas diz o bom senso que deverá tomar algumas precauções ao fazê-lo. E deverá mesmo recusar a venda do produto, se considerar ou suspeitar que daí poderão incorrer riscos para o menor.

O mesmo acontece com os produtores de conteúdos. Os produtores de conteúdos têm uma responsabilidade social, devendo certificar-se que os conteúdos que publicam são adequados ao seu público alvo. Sempre que houver dúvidas sobre este aspecto, diz o bom senso que deverão acompanhar esses conteúdos de notas informativas ou avisos alertando para os riscos que tais acções podem representar para os menores, recomendando o acompanhamento de adultos.

No caso deste anúncio, tomei a iniciativa de contactar telefonicamente a organização ambientalista alertando-a para o facto. Tive conhecimento que o meu alerta não era o primeiro. Tive também conhecimento que em resultado destes alertas, a organização tomara já a iniciativa de mudar o horário de emissão do anúncio, procurando assim reduzir a possibilidade das crianças assistirem ao mesmo. Passando a horas mais tardias, é maior a possibilidade das crianças se encontrarem acompanhadas pelos pais, que poderão então explicar o anúncio aos miúdos. Neste caso, esta medida não me parece suficiente, mas é melhor do que manter a situação actual. Uma atitude verdadeiramente responsável seria esta organização substituir o anúncio em questão. Outra coisa não é de esperar de uma organização socialmente responsável.

Obviamente que a organização anunciante e o criativo autor da mensagem que refiro no início deste artigo tinham a melhor das intenções, mas a verdade é que inadvertidamente cometeram uma imprudência. O problema é que este tipo de situações não é imediatamente aparente. E é aí que todos nós podemos fazer a diferença. Um telefonema, um email ou uma carta podem fazer a diferença, alertando ao responsáveis para um facto que lhes pode ter escapado. E isto tanto vale para qualquer tipo de conteúdos, independentemente do média, seja ele a televisão, a rádio ou a Internet.

in Info&Net, A Capital, Lisboa, 22 de Agosto de 2003



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