Logotipo MiudosSegurosNa.Net

Bandeira de AngolaBandeira do BrasilBandeira de Cabo VerdeBandeira da Guiné-Bissau
Bandeira de MoçambiqueBandeira de PortugalBandeira de São Tomé e PrincípeBandeira de Timor Leste
Subscreva a Newsletter
[MiudosSegurosNa.Net]

> Definir Homepage
> Adicionar a Favoritos
> Imprimir Esta Página
> Recomendar Página
> Ligue-se a Nós!
> Artigos Para o Seu Site
> Donativos

ARTIGOS DE OPINIÃO - 2003 - AGOSTO
As Crianças, os Jovens, os Pais e os Novos Média
Por Tito de Morais

As crianças hoje vivem rodeadas de tecnologia a um ponto que na minha infância seria difícil de imaginar. Acho que um par de Walkie-Talkies a pilhas, uma pista de comboios ou automóveis eléctricos, na minha infância eram o expoente máximo da tecnologia a que alguns privilegiados tinham acesso.

Os miúdos hoje vivem rodeados por televisões, consolas de jogos, computadores, Internet, vídeos, DVD’s, MP3, leitores disto e daquilo, telemóveis, etc. tudo isto com modelos novos que se sucedem a um ritmo alucinante. As crianças de hoje têm um nível de solicitações que dificilmente imaginaríamos há poucas décadas atrás.

As respostas dos pais variam desde as grandes preocupações sobre os potenciais efeitos nocivos dos média – ver caixa - até à adesão entusiástica à criatividade e potencial do mundo dos novos média. Alguns monitorizam de perto os hábitos dos seus filhos e impõem-lhes limites, enquanto outros rendem-se aos desejos das crianças.

Os Pais e as Novas Tecnologias: Os Últimos 110 anos
1890 – Posso dar-me ao luxo de ter um telefone em casa?
1900 – Como é que os meus filhos sabem mais de automóveis do que eu?
1910 – Deverei levar os meus filhos ao cinema?
1920 – Como é que os meus filhos sabem mais de rádio do que eu?
1930 – Serão os programas de rádio demasiado violentos?
1940 – Serão as histórias aos quadradinhos uma má influência para os meus filhos?
1950 – A TV será boa para os meus filhos?
1960 – O que estão os meus filhos a aprender com o Rock & Roll?
1970 – Os programas de televisão serão demasiado violentos?
1980 – Estará o meu filhos a jogar demasiados jogos vídeo?
1990 – Será a Internet segura e benéfica para os meus filhos?
2000 – Posso dar-me ao luxo de dar um telemóvel ao meu filho?
Traduzido e adaptado de:
The Parent’s Guide to The Information Superhighway – Rules and Tools For Families Online - Second Edition
The Children’s Partnership With The National PTA and The National Urban League - May 1998

11 Horas Por Dia "Agarrada" à Net!
Há duas semanas atrás referi nestas páginas o caso de uma adolescente britânica cujo pai a havia obrigado a reduzir o tempo de utilização da Internet de 11 para 5 horas por dia. A semana passada, enquanto viajava de Lisboa para o Porto, tive a oportunidade de rever uma emissão do programa Hora Extra há tempos emitido pela SIC Notícias, em que uma jovem adolescente ou pré adolescente afirmava ser habitual estar online por um número de horas diário igualmente extraordinário.

7,8 Horas Por Dia Frente ao Écran!
De acordo com o Washington Post, um estudo recente refere que em média, as crianças americanas de 13-17 anos dispendem cerca de 7,8 horas por dia em frente a um écran. Este tempo divide-se entre as 3.5 horas a jogar vídeo jogos e outras actividades não relacionas com o computador, 3.1 horas a ver televisão e 1.2 horas na Internet. Se tomarmos estas médias de um país extremamente "ligado" por padrão, facilmente se conclui que os exemplos referidos acima são exemplos extremos, mas nem por isso fora do vulgar.

72% Dos Pais Preocupados Com o Tempo Online
Pelos exemplos acima referidos, compreende-se que um estudo recente nos revele que a maioria dos pais se preocupa ou começa a preocupar com o facto dos jovens roubarem a outras actividades mais importantes o tempo que dispendem online. Curiosamente, enquanto 72% dos pais indicava este facto como fazendo parte das suas preocupações, apenas 62% se dizia preocupado com o facto dos seus filhos poderem ver ou ler conteúdos inadequados, 58% com o facto dos seus filhos poderem deparar-se com anunciantes que os explorem e 57% com o facto dos seus filhos poderem encontrar estranhos que os contactem. Parece assim evidente que a generalidade dos pais, para além de se preocupar com o conteúdo dos sites visitados pelos seus filhos, começa também a preocupar-se com o tempo que estes dispendem online.

Os Pais e os Média
Relativamente ao triângulo Pais, Filhos e os Média, um estudo recente, "Key Facts: Parents and Media", da The Henry J. Kaiser Family Foundation, nos Estados Unidos, revelou que aquilo que os pais afirmam que fazem, muitas vezes não condiz com o que as crianças dizem que os pais fazem.

Classificações e Limites ao Tempo de Utilização
De um modo geral, metade dos pais diz limitar o tempo de utilização de jogos vídeo e diz verificar as classificações dos jogos para seleccionar as suas compras de jogos, mas apenas 13% das crianças afirma ter limitações de tempo e apenas 7% diz que os seus pais não lhes permitiram adquirir um jogo vídeo devido à sua classificação.

De igual modo, a maioria dos pais afirma impor limites de tempo à utilização da Internet, navegar em conjunto com os filhos e verificar os sítios que os seus filhos visitaram. No entanto, a maioria dos adolescentes afirma que não tem limitações de tempo, nem navega na Internet com os pais, enquanto que cerca de um terço acredita que os seus pais alguma vez verificaram os sítios por si visitados.

Razões Para a Dificuldade de Implementar Regras
A falta de sincronismo entre o que os pais afirmam e aquilo que na realidade implementam demonstra, como afirma o estudo, a dificuldade em implementar este tipo de regras em lares como os de hoje. Lares cada vez mais ligados e onde existem múltiplos aparelhos de televisão, múltiplos computadores e múltiplas consolas de jogos. Isto para não falar de lares com crianças e jovens com idades e interesses diferentes, onde estes aparelhos estão por vezes instalados nos quartos das crianças e dos jovens e onde os pais geralmente não estão presentes quando estes meios são utilizados.

Apesar da preocupação sobre a influência dos média nas crianças, particularmente da Internet, a maioria dos pais fornece aos filhos um ambiente rico neste tipo de meios e muitas vezes sem qualquer tipo de supervisão. À luz deste facto e das dificuldades que se referem acima, compreende-se assim que 65% dos pais afirme que podia cumprir melhor as suas funções ao nível da supervisão da utilização que os seus filhos dão aos média.

O Diálogo Como Instrumento
Se as regras, pelas razões que vimos acima, podem ser difíceis de implementar, aos pais resta ainda um poderoso instrumento, que constitui por ventura a estratégia mais eficaz que os pais podem usar para ajudar os filhos a tornarem-se mais selectivos e críticos na utilização que fazem dos média: falar sobre o assunto, experimentar e utilizar os meios em conjunto com os seus filhos.

Sim, as vossas escolhas como pais são importantes. A vossa intervenção pode fazer a diferença relativamente ao papel que os novos média podem desempenhar nas vidas dos vossos filhos. É nesta perspectiva que procurarei continuar com estes artigos, escrevendo sobre casos que possam utilizar como pontos de partida para esses diálogos.

in Info&Net, A Capital, Lisboa, 08 de Agosto de 2003



Artigos Anteriores:
> "Que a Força Esteja Contigo, Star Wars Kid!"
> "Não Acredites em Tudo o Que Lês!"
> Como Tirar Partido dos Benefícios do Chat & do IM, Sem se Expor Aos Riscos?
> "Spyware": o Preço da Sua Privacidade
> Sistemas de Classificação de Jogos Vídeo e de Computador

Rotulado com ICRA - Internet Content Rationg Association
| Início | Recursos | Sobre | Mapa do Site |
                                                 © 2003-2007, Tito de Morais. Todos os Direitos Reservados.