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Por Tito de Morais Tal como ensinamos aos nossos filhos que não se brinca com o fogo, devemos também ensinar-lhes como estar na Internet de uma forma segura e responsável. Depende de si conhecer os perigos e saber como manter-se, a si e aos seus, seguros na Internet. Habitualmente ensinamos às crianças uma série de coisas com o intuito de as proteger de dos perigos, riscos e ameaças de segurança que a todos nos rodeiam no nosso dia a dia. Para isso, socorremo-nos de frases feitas tais como:
E fazemos o mesmo com os jovens:
Todos nós já fomos miúdos e jovens. Estas frases não nos são, por isso, estranhas. Passam de pais para filhos, de geração em geração. Obviamente, com algumas variantes e inovações. Há 20 ou 30 anos, por exemplo, mal se falava em cintos de segurança e o uso de capacete não era obrigatório quando se conduzia um motociclo. Em termos de inovações, nos dias de hoje, a tecnologia faz, cada vez mais, parte do quadro. E a este nível, para nós adultos, é cada vez mais complicado mantermo-nos a par dos miúdos. Ou seja, quando finalmente conseguimos descobrir como acertar o relógio do vídeo, eis que surge a Internet! Subitamente, temos pela frente uma nova tecnologia, uma nova linguagem e, com elas, novos desafios. Todavia, a maioria das vezes não lidamos como deve ser com estes desafios. De facto, no que toca à Internet, a maioria de nós - pais e educadores – comporta-se de uma forma assaz estranha. Senão, fazendo um paralelo e generalizando um pouco, vejamos. É um dado adquirido que, a partir de uma dada idade, a generalidade dos jovens sabe mais de automóveis que muitos pais. No entanto, não é pelo facto de nos parecer que os nossos filhos sabem mais de automóveis do que nós, que pomos um carro e as respectivas chaves nas suas mãos e os mandamos à sua vida, partindo do princípio que eles sabem conduzir. Não é por isso que assumimos que eles sabem o código da estrada. Não é por isso que partimos do princípio que eles têm uma conduta responsável e segura na estrada. Uma conduta da qual não resultem acidentes que os possam magoar ou prejudicar. Magoar ou prejudicar terceiros. Se este não é o nosso procedimento no que toca à segurança rodoviária, porque razão a esmagadora maioria de nós adopta este comportamento face à segurança na Internet?! De facto, a experiência diz-me que são raros os pais e os educadores que falam com as crianças e com os jovens sobre a segurança na Internet. São raros os pais e as escolas que monitorizam a sua utilização. Mais raras ainda são as acções de sensibilização sobre a segurança de crianças e jovens na Internet. Na realidade, arrisco mesmo que a maioria dos pais e professores desconhecem como fazer face aos perigos, ameaças e riscos de segurança que a Internet pode apresentar. E se os educadores desconhecem, dificilmente podemos esperar que as crianças e os jovens saibam como se proteger e defender na Internet. Então, como garantir que as crianças e os jovens tirem o máximo partido deste novo e poderoso meio, sem se exporem desnecessariamente? Muitos adultos sentem-se intimidados com a Internet. Desorientam-se com a floresta de acrónimos (CPU, RAM, MP3, P2P, etc.). Se de facto pode ser verdade que muitos filhos podem ter conhecimentos técnicos mais avançados do que muitos adultos, não é pelo facto de uma pessoa usar jargão específico que faz dela um entendido. Pode bem acontecer que eu conheça os termos, mas não faça ideia do que estou a falar. No entanto, vamos conceder que na generalidade dos casos os miúdos estão mais familiarizados com a Internet que a maioria dos adultos. No entanto, tal como nos exemplos tradicionais que referi no início, mesmo assim, os miúdos precisam dos conselhos e da protecção dos adultos - em geral e dos pais em particular - quando usam uma ferramenta tão poderosa. Afinal de contas, se explicamos aos nossos filhos e educandos a importância da utilização do cinto de segurança, sem para isso precisarmos de saber como funciona o motor do automóvel, é sensato fazermos o mesmo no que diz respeito à Internet. Se está a ler este texto, muito provavelmente das duas uma: ou tem filhos ou ensina/educa os filhos dos outros. Na linguagem do meu filho de 12 anos é, tal como eu, um(a) "cota". Como provavelmente saberá, na linguagem do tempo em que eu tinha 12 anos, isto é o equivalente de "velhote". Há um dito popular que diz "burro velho não aprende línguas", frase que decididamente não mostra qualquer deferência para com os mais velhos. Pessoalmente prefiro uma outra que a minha avó usava: "velhos são os trapos!", que é como quem diz, "nunca é tarde para se aprender". E este é o espírito com que deve encarar a Internet. E se tem dúvidas, recordo-lhe aqui uma história que li recentemente (http://www.siliconvalley.com/mld/siliconvalley/5804640.htm) e que serve de exemplo para que os pais não se sintam inferiorizados relativamente aos seus filhos, no que toca ao conhecimento sobre a Internet. Katherine Young, uma idosa de Palo Alto, descobriu a Internet e celebrou o seu 102º aniversário online, a ler mensagens de correio electrónico da família, amigos e políticos. Resumindo, tal como ensinamos aos nossos filhos que não se brinca com o fogo e todas aquelas frases feitas que referi no início, garantir que eles tiram o máximo partido da Internet sem se exporem aos perigos, ameaças e riscos de segurança que esta pode apresentar, depende de nós, adultos. Depende de nós aprendermos para lhes poder ensinar como estar na Internet de uma forma segura e responsável. Depende de si conhecer os perigos e saber como manter-se, a si e aos seus, seguros na Internet. in Pais & Filhos, Lisboa, Julho de 2003
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