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Por Tito de Morais Ensinamos as crianças e os jovens a usar a Internet, mas esquecemo-nos de lhes ensinar como a usar. Ensinamo-las a usar o correio electrónico, a navegar na web e, quanto muito, a pesquisar informação na Internet, mas invariavelmente esquecemo-nos de as ensinar a avaliar e interpretar o que eles descobrem na Internet. A Internet está a revolucionar os métodos e meios de investigação utilizados por crianças e jovens nas nossas escolas e universidades. De facto, para a generalidade dos estudantes, a Internet assume-se hoje como uma das suas principais fontes de informação, senão mesmo como a principal. Todavia, apesar da Internet constituir uma poderosa ferramenta de investigação, apresenta alguns desafios para os quais é importante estarmos alerta. Estes desafios são particularmente relevantes para os estudantes. O ensino e o desenvolvimento de capacidades ao nível da análise e avaliação crítica da informação disponível na Internet assume assim uma importância cada vez mais relevante. Na escola e em casa.
A Inexistência do Holocausto?!
Atordoado com a situação, o professor investiga a fonte da informação. Rapidamente conclui que a página em questão, apesar de estar alojada num servidor da Northwestern University, não é uma página oficial da Universidade, mas sim uma página pessoal de um utilizador da Universidade. Aprofundando um pouco mais a questão, conclui tratar-se de uma página cujo propósito é promover a ideia de que o Holocausto foi uma fabricação. Investigando a autoria da página, o professor conclui que o autor, apesar de ser um professor da Universidade, é uma autoridade questionável. De facto, apesar do autor ser um assistente da Universidade, trata-se de um assistente de Engenharia, o que dificilmente posiciona o autor como um perito sobre assuntos relacionados com o Holocausto. No âmbito da investigação, o professor verifica que a página se encontra catalogada ou ligada a partir de dois tipos de sítios: sítios que fazem a apologia do ódio e sítios que monitorizam a existência de sítios que promovem este tipo de ideais. Ligada a partir de sítios que fazem a apologia do ideal ariano e do anti-semitismo, a página em questão é referenciada positivamente em sítios conotados com associações fascistas, racistas e outras que promovem o nacionalismo ariano. Apesar de tudo, o final desta história é um final feliz: ao jovem foi dada a possibilidade de entrevistar uma sobrevivente do Holocausto.
Análise Crítica da Informação
A Internet é um local onde podemos encontrar "provas" que "validem" praticamente tudo o que se possa imaginar. Para muitos estudantes, "se está na Internet, é porque é verdade". Como a história que contei aqui ilustra, é assim essencial desenvolvermos nas crianças e nos jovens capacidades para uma análise crítica da informação que encontram. Não só na Internet, mas sobretudo, na Internet. Para além do ensino de métodos de pesquisa, é de vital importância o ensino de formas de validação da informação. Crianças e jovens precisam de aprender a avaliar a autenticidade, aplicabilidade, autoria, imparcialidade e usabilidade dos conteúdos Internet. De facto, o desenvolvimento deste tipo de aptidões é hoje um requisito essencial à sociedade de informação, devendo fazer parte de uma qualquer diploma de competências básicas em tecnologias de informação. A este nível e para uma melhor compreensão desta problemática, recomendo a pais e educadores a leitura de um estudo recentemente publicado, "Of Course It's True; I Saw It on the Internet! - Critical Thinking in the Internet Era". Da leitura deste estudo, ressalta que este tipo de educação tem de começar nos níveis mais elementares de ensino e que este ensino não se pode limitar à escola. De facto, cada vez mais, as crianças começam a utilizar a Internet a partir dos níveis mais básicos de ensino e, por outro lado, parte dos trabalhos escolares é também desenvolvido a partir de casa.
Um Componente da Segurança
in Info&Net, A Capital, Lisboa, 25 de Julho de 2003
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