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Por Tito de Morais Dos fornecedores de serviços Internet, passando pelas organizações governamentais e não-governamentais de apoio e protecção de menores, pela escola e pelas associações de pais, o alheamento relativamente à questão da promoção da utilização da Internet de uma forma responsável e segura é confrangedor. No artigo anterior, debrucei-me sobre o alheamento das linhas telefónicas de apoio. Neste artigo, com o qual pretendo encerrar esta série irei analisar a questão noutras frentes igualmente importantes.
O Alheamento dos ISP’s
De facto, os ISP’s sofrem de uma tendência arrasadora de reduzirem tudo à tecnologia, esquecendo-se desta verdade intransponível: o problema da segurança informática são as pessoas! Talvez por isso, ou por ser mais fácil iludir o cliente de que se resolve o problema da segurança informática comprando um qualquer hardware ou software, a oferta existente reduz-se a algumas – poucas - ofertas que integram firewalls, anti-vírus ou anti-spam. Talvez por isso, ao nível da filtragem de acesso a websites, a única oferta disponível no mercado está posicionada para o mercado empresarial: a Internet para quem trabalha. Resumindo, se dependermos dos ISP’s para garantir a protecção da grande maioria dos utilizadores portugueses, aqueles que usam a Internet para outros fins para além do trabalho, nomeadamente o divertimento, a pesquisa, os jogos, etc., bem podemos esperar sentados. Talvez daqui a uns anos, se faça luz e uma mente iluminada se lembre de integrar mecanismos de controlo parental nas ofertas de serviços Internet como o fizeram recentemente a MSN e a AOL. Os pais e a escolas deste país, agradecerão, estou certo,
O Abuso de Menores e a Internet
Para além da crueza dos números em si e da revelação que o maior número de vítimas tem menos de 12 anos de idade, outro facto me chamou a atenção: ao contrário do que acontecia no passado, os abusadores não fazem parte da família das vítimas. De facto, de acordo com o referido levantamento, das 843 crianças violadas, 564 disseram que não conheciam os abusadores. "Será que os não conheciam mesmo, ou estavam ameaçadas para não revelarem nomes?", questionou-me uma conceituada formadora de pais, professores e educadores na área da prevenção do abuso sexual de menores, acrescentando que "esta é uma questão bastante importante". Assim é, de facto, e este tipo de assuntos não se coaduna com leituras apressadas. Mesmo assim não consigo evitar deixar aqui uma questão a título de reflexão: não poderá a Internet estar a ser usada como veículo para transformar de uma forma radical este fenómeno a curto e médio prazo? Isto é, enquanto historicamente os abusadores são tradicionalmente membros da família do abusado ou próximos desta, não estará a Internet a contribuir para que a prazo, esta realidade seja alterada de um modo radical, evidenciando este estudo essa tendência? Como se refere acima, parece-me que o esclarecimento desta questão é também uma questão bastante importante. Este assunto leva-me a um outro que também vejo com alguma preocupação: consultando o website da Procuradoria Geral da República, facilmente se conclui que a listagem com informações relativamente às Comissões de Protecção de Menores se encontra incompleta e desactualizada. Revela-se, desta forma, o relevo dado à Internet por este órgão de soberania ou pelas entidades que integram as referidas comissões.
Direcção de Educação Regional do Centro
Outros Exemplos a Seguir
Para além do alerta para pais e educadores sobre "Os Jovens e a Internet", distribuído em Fevereiro deste ano, a Polícia Judiciária divulgou a semana passada um novo alerta. Desta feita sobre a "Devassa da Vida Privada por Meios Informáticos". A PJ assume, assim, o seu papel no domínio da prevenção, conforme está estabelecido na sua lei orgânica. Por outro lado, o Núcleo Minerva/Centro de Competência Nónio Século XXI da Universidade de Évora disponibiliza aquele que é o único guião pedagógico de que tenho conhecimento em português, sobre a temática da Segurança das Crianças na Internet. in Info&Net, A Capital, Lisboa, 30 de Maio de 2003
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